A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório que destaca o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento, classificado como reservado, alerta para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil.
O relatório foi enviado no fim de agosto de 2025 à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil.
Pressão dos EUA e tarifas elevadas
Segundo a Abin, a possibilidade de interferência externa é classificada com um “nível de criticidade” e está ligada à reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina, especialmente sob o governo de Donald Trump. O objetivo seria afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos na região.
Desde abril de 2025, o Brasil tem enfrentado tarifas de exportação elevadas. Em julho de 2025, Trump assinou uma Ordem Executiva considerando o Brasil uma “ameaça à segurança nacional dos EUA”, aumentando a tarifa de exportação para 50%.
Lei Magnitsky e ações contra Alexandre de Moraes
Além das tarifas, o governo dos EUA aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do STF, e sua esposa, Viviane Barci Moraes. Essa lei permite o bloqueio de ativos e a proibição de transações com empresas americanas.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, celebrou a aplicação da lei e foi acusado de coação no processo, sendo condenado pelo STF em junho de 2026.
Retorno das tarifas e designação de organizações terroristas
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas globais impostas por Trump, mas novas tarifas foram anunciadas em julho de 2026, atingindo 19% das exportações brasileiras. Em maio de 2026, os EUA designaram o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, o que gerou preocupação no governo brasileiro.
Visto revogado e críticas de Lula
Em agosto de 2026, os EUA revogaram o visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, citando a demora na aprovação de um novo embaixador. O governo brasileiro contestou a decisão, afirmando que violou a Convenção de Viena.
Apesar de manter um bom relacionamento pessoal com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as ações do governo dos EUA, afirmando que Trump “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas.
Opinião
A relação entre Brasil e EUA continua tensa, com ações que podem impactar diretamente a soberania e a economia brasileira, exigindo uma diplomacia mais assertiva do governo.





