Internacional

ONU enfrenta crise com saída de Guterres e candidaturas sem apoio na 81ª Assembleia

ONU enfrenta crise com saída de Guterres e candidaturas sem apoio na 81ª Assembleia

A ONU se aproxima de sua 81ª Assembleia Geral em um cenário de crise existencial. À medida que o mandato do António Guterres se aproxima do fim, em 31 de dezembro, a falta de consenso sobre seu sucessor gera tensão entre os membros do Conselho de Segurança.

No último sábado, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou sua retirada da corrida, após obter apenas um voto a favor e 11 contrários em uma votação informal. A decisão reflete a baixa aceitação de sua candidatura, que contava com o apoio do Brasil e do México, mas enfrentava forte oposição dos Estados Unidos.

Outros candidatos também enfrentam dificuldades. A economista Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica, teve 9 votos a favor e 5 contrários, enquanto Carolyn Rodrigues Birkett, ex-ministra de Relações Exteriores da Guiana, obteve 8 votos a favor e 6 contra. Por sua vez, o diplomata argentino Rafael Grossi recebeu apenas 5 votos a favor e 8 contra, apesar do apoio dos EUA.

Expectativas e Novas Candidaturas

A indefinição em torno do novo secretário-geral é incomum, especialmente com a expectativa de um sucessor da América Latina e Caribe e, possivelmente, a primeira mulher nesse cargo. Novas candidaturas, como a de Alicia Bárcena Ibarra, atual ministra do Meio Ambiente do México e ex-ministra de Relações Exteriores, e María Ángela Holguín, diplomata colombiana, estão sendo especuladas.

Uma nova sondagem informal está marcada para 28 de setembro, que deve trazer mais clareza ao processo, diferenciando os votos dos membros permanentes dos demais. A expectativa é que novas conversas durante a reunião de chefes de Estado e de governo possam resultar em novos nomes para a disputa.

O Paradoxo da ONU

A ONU, embora enfraquecida política e financeiramente, continua a ser uma instituição globalmente relevante. O impasse atual é um reflexo das complexidades do processo de escolha de um novo líder, que se arrasta sem consenso. A situação atual é um indicativo do paradoxo que a Organização enfrenta.

Opinião

A crise na ONU e a dificuldade em encontrar um sucessor para Guterres evidenciam a fragilidade da diplomacia internacional em tempos de crescente polarização.