A FIFPro, sindicato de jogadores de futebol, manifestou a necessidade urgente de reformas nas estruturas decisórias da Fifa, após a proposta de investimento, agora abandonada, revelar falhas preocupantes na administração do futebol mundial.
O estudo divulgado pela FIFPro aponta que a iniciativa Forward Enterprise, que foi retirada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, no início de 2023, transformaria as principais competições do futebol em ativos para o capital privado, sem a devida consulta às partes interessadas. A proposta enfrentou ampla oposição, levando à sua retirada.
O relatório, elaborado em parceria com a Player IQ e a Football Benchmark, destaca que as deficiências de governança que permitiram a elaboração da proposta continuam sem solução. A FIFPro enfatizou que a Forward Enterprise tinha como objetivo converter as competições em ativos financeiros, subvalorizando-as para o capital privado.
Além disso, a FIFPro revelou que clubes europeus empregavam 856 jogadores na Copa do Mundo de 2026, e esses atletas foram avaliados em aproximadamente 16,9 bilhões de euros (cerca de US$ 19,8 bilhões), representando 94% do valor total dos jogadores do torneio. O estudo também aponta que todos os 20 vencedores de prêmios individuais nas últimas cinco edições da Copa do Mundo atuavam em clubes europeus.
A premiação da Copa do Mundo, segundo o relatório, caiu de 10,5% em 2006 para cerca de 7,7% em 2026, apesar do crescimento significativo das receitas do torneio. Os jogadores, conforme a FIFPro, recebem apenas uma fração desse retorno, enquanto as federações dependem dessa premiação como a única fonte de receita da Fifa baseada em desempenho.
Por fim, a FIFPro solicitou uma revisão independente do processo decisório do Conselho da Fifa, para assegurar que mudanças relevantes não sejam promovidas por um único gabinete. O sindicato também defendeu a inclusão formal de jogadores, clubes e ligas na governança do futebol, ao lado das associações nacionais.
Opinião
A necessidade de uma governança mais inclusiva e transparente na Fifa é evidente, e os apelos da FIFPro devem ser considerados para o futuro do futebol.





