Santa Catarina

Santa Casa de Campo Grande colapsa com dívida de R$ 800 milhões e prisões

Santa Casa de Campo Grande colapsa com dívida de R$ 800 milhões e prisões

A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, o maior complexo hospitalar de Mato Grosso do Sul, enfrenta um momento crítico em sua história, com uma dívida total que ultrapassa R$ 800 milhões. O colapso da instituição é resultado de um grave escândalo de corrupção, que culminou na prisão da diretoria na última sexta-feira.

Os mandados de prisão preventiva atingiram a alta cúpula da entidade, com destaque para Alir Terra Lima e Rinaldo Hakme Romano, acusados de operar esquemas de desvios patrimoniais, fraudes contratuais e lavagem de dinheiro. A investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da Polícia Civil revelou a relação direta da diretoria com as fraudes, levando a uma suspensão de cirurgias eletivas e ao cancelamento de consultas.

Dívida e Deficit Crescente

De acordo com o balanço mais recente, a Santa Casa apresenta um passivo circulante de R$ 319,4 milhões e um passivo não circulante de R$ 488,18 milhões. O deficit anual da instituição cresceu 26,6% de 2024 para 2025, passando de R$ 98,36 milhões para R$ 124,58 milhões. A situação se agrava com dívidas que superam seus bens em R$ 639,47 milhões.

Impacto na Assistência à Saúde

Com 84,4% de atendimento pelo SUS, a Santa Casa enfrenta dificuldades severas, acumulando dívidas com fornecedores de insumos que chegam a R$ 90,28 milhões. A falta de pagamento resultou na interrupção do fornecimento de materiais essenciais, bloqueando leitos e cancelando procedimentos cirúrgicos programados.

Investigação e Novas Medidas

A investigação revelou que a diretoria manteve contratos irregulares mesmo após alertas sobre irregularidades. Um caso notório foi a contratação da empresa Redvalue para digitalização de documentos, que recebeu R$ 750 mil por serviços não prestados adequadamente. A Justiça, ao decretar as prisões, destacou a necessidade de cessar a dilapidação do patrimônio hospitalar.

Para mitigar o colapso, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e a Secretaria de Estado de Saúde firmaram um novo pacto contratual, estabelecendo metas assistenciais rigorosas. A reunião para discutir esse novo acordo foi marcada para ontem.

Opinião

O colapso da Santa Casa de Campo Grande é um reflexo preocupante da gestão pública e da necessidade urgente de reformas na administração de instituições filantrópicas.