O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a proibição do uso de produtos à base de PMMA (polimetilmetacrilato) como substância injetável para preenchimento cutâneo em todo o Brasil. A decisão, que abrange tanto fins estéticos quanto reparadores, está formalizada na Resolução CFM nº 2.461/2026. A única exceção prevista é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, que deve ser realizado em unidades de assistência de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida foi fundamentada em evidências científicas que associam o uso do PMMA a complicações graves, como reações inflamatórias tardias, formação de granulomas, infecções e até comprometimento da função renal. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo, realizado em 2016, indicou que cerca de 17 mil pacientes buscaram tratamento para complicações relacionadas ao PMMA, evidenciando a preocupação com os riscos do material.
Riscos e Complicações do PMMA
O Dr. André Ahmed, cirurgião plástico especialista em gluteoplastia, destaca que a decisão do CFM reflete uma mudança defendida por especialistas há anos. “O PMMA é um preenchedor permanente, e suas complicações podem surgir anos após a aplicação, tornando o tratamento complexo”, afirma. Ele ressalta que a segurança deve ser prioridade em qualquer procedimento médico.
Internacionalmente, a proibição do PMMA já foi adotada em países como França e Holanda, que baniram o uso de preenchedores não absorvíveis em 2005 e 2015, respectivamente. O CFM já havia recomendado restrições ao PMMA em 2013, por meio do Parecer CFM nº 5/2013, que alertava para os riscos associados ao uso em grandes volumes.
Alternativas e Segurança do Paciente
A proibição do PMMA visa garantir a segurança dos pacientes e reforçar a necessidade de decisões fundamentadas em evidências científicas. O Dr. André Ahmed enfatiza que a escolha de procedimentos estéticos deve ser baseada em indicações e segurança, e não apenas em resultados estéticos imediatos. A informação de qualidade e a avaliação criteriosa são cruciais para que os pacientes compreendam os riscos e benefícios envolvidos.
Opinião
A decisão do CFM sobre o PMMA é um passo importante para a segurança dos pacientes e deve ser vista como uma oportunidade para promover práticas médicas mais responsáveis e informadas.





