Internacional

Donald Trump sugere produção de carros chineses nos EUA antes de encontro com Xi Jinping

Donald Trump sugere produção de carros chineses nos EUA antes de encontro com Xi Jinping

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que seu governo não impediria empresas chinesas de produzir carros em território americano, mesmo diante de alertas da indústria automobilística e de autoridades em Washington contra a entrada dessas companhias no país. “Agora, se a China quisesse vir para cá e abrir uma fábrica para produzir seus carros, eu não teria problema com isso”, afirmou Trump em entrevista à Fox News na semana passada.

Essa declaração ocorre enquanto ele se prepara para conversar pessoalmente com o presidente chinês, Xi Jinping, ainda neste ano. Restrições à importação de software chinês e tarifas de mais de 100% que entraram em vigor durante o governo de Joe Biden, na prática, fecharam o mercado americano aos carros chineses.

Preocupações da Indústria Automobilística

Com os preços dos veículos novos em forte alta, a possibilidade de uma entrada de automóveis chineses mais baratos vem gerando preocupação na indústria e entre parlamentares. A Alliance for Automotive Innovation, que reúne General Motors, Toyota Motor e outras grandes montadoras, pediu ao Congresso no início deste mês que aprove uma lei para proibir a venda, a produção e a importação de veículos conectados chineses nos Estados Unidos.

A senadora democrata por Michigan, Elissa Slotkin, publicou nas redes sociais que havia rumores, antes da cúpula entre Estados Unidos e China, de que Trump estaria considerando abrir o mercado americano aos carros chineses. Trump, por sua vez, classificou a informação como um “rumor totalmente falso”.

Reações e Acordos Internacionais

O secretário de Transportes, Sean Duffy, expressou preocupação em uma carta ao CEO da Ford, Jim Farley, sobre as parcerias da montadora americana com empresas chinesas. A Ford utiliza tecnologia licenciada de baterias da Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. (CATL) em uma fábrica de veículos em Michigan e anunciou um acordo para formar uma joint venture com a Geely Automobile Holdings na Espanha.

Duffy afirmou que, ao aprofundar sua dependência de concorrentes estratégicos, a Ford deixa de ser a parceira confiável que o público americano exige. A montadora contestou a carta, alegando que ela “contém erros factuais”.

Analistas acreditam que as montadoras chinesas teriam dificuldade para construir cadeias de fornecimento competitivas nos Estados Unidos. Contudo, os carros chineses poderiam ampliar sua presença na América do Norte através do México e do Canadá.

Um acordo canadense permite a importação de até 49 mil veículos elétricos chineses por ano, com uma tarifa de nação mais favorecida de 6,1%. Acredita-se que a BYD pretende começar a vender carros de passeio no Canadá em 2026. Trump, por sua vez, ameaçou elevar de 25% para 50% a tarifa adicional atualmente aplicada a carros, caminhões e peças automotivas fabricados no Canadá, a partir de janeiro de 2027.

Opinião

A situação atual reflete um cenário complexo entre as relações comerciais dos EUA e da China, e as decisões de Trump podem impactar significativamente o futuro da indústria automobilística.