O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ensaiado um descolamento do ministro Alexandre de Moraes em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados do Planalto tentaram blindar o presidente e separar sua imagem da dos ministros mais alinhados ao governo, tratando a tensão institucional como se não fosse um problema do Planalto. A avaliação no núcleo da campanha, porém, é que a percepção negativa sobre a atuação de Moraes acabou recaindo diretamente sobre Lula.
O presidente voltou a se referir a Moraes como “ministro de Michel Temer” e, em entrevista ao SBT na noite de quinta-feira (10), citou nominalmente o magistrado ao tratar do caso Master. “Falta apurar. Quem é culpado de verdade?”, questionou. “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar.” Lula passou a defender a investigação e eventual responsabilização do ministro caso sejam comprovadas irregularidades.
Medida Provisória e Sessão do STF
Parte do staff petista considera necessário um posicionamento público mais incisivo para conter o desgaste. A orientação central é que o presidente peça publicamente que o ministro se licencie da Corte para se defender das revelações recentes sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Este movimento já vinha acontecendo por parte de Lula. Em abril, em uma conversa reservada com Moraes, o presidente demonstrou preocupação com o impacto das denúncias.
Na época, Lula também defendeu que Moraes desse explicações à sociedade e se declarasse impedido de atuar no caso. Mas foi desestimulado pela reação de ministros aliados, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, que pediram a Lula para não atacar Moraes. A crise pode ter seu ápice na próxima terça-feira (15), quando o plenário está previsto para realizar uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal que envolve o ministro Alexandre de Moraes.
Reações e Consequências
A expectativa era de uma sessão aberta, mas Gilmar Mendes enviou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo o adiamento da sessão. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório, sob o argumento de que houve irregularidades na investigação. Moraes pediu o levantamento integral do sigilo e defendeu que a análise das investigações relacionadas a ele e a Mendonça seja feita conjuntamente.
O cientista político Leandro Gabiatti destacou que Lula não está conseguindo tirar o Supremo do centro da agenda pública e que, se esse movimento demanda que ele se afaste de Moraes, provavelmente ele fará isso. No entanto, a tentativa de desvinculação pode resultar em desconforto, uma vez que Moraes teve atuação central no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 e conduziu processos que atingiram Jair Bolsonaro.
Opinião
A situação entre Lula e Moraes reflete a complexidade das relações políticas no Brasil, onde decisões e alianças podem ter consequências profundas em um momento eleitoral tão delicado.





