Política

Polícia Federal revela que Vorcaro pagou viagens a Paris e Disney para servidores do BC

Polícia Federal revela que Vorcaro pagou viagens a Paris e Disney para servidores do BC

A Polícia Federal (PF) revelou em um relatório que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou viagens a Paris e à Disney para servidores do Banco Central (BC) em troca de favores indevidos. Os servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana atuaram como consultores informais do banqueiro, o que gerou um afastamento deles em março de 2026, após investigações que começaram em 2025.

De acordo com a PF, Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai. As investigações revelaram que pagamentos foram feitos por meio de contratos fictícios e que Belline recebeu R$ 2 milhões da Varajo Consultoria Empresarial. A PF identificou que os servidores enviavam informações sigilosas a Vorcaro sobre movimentações financeiras do banco, além de revisarem documentos de interesse do Master.

Investigações e Diálogos Reveladores

Os diálogos entre os envolvidos foram obtidos através de mensagens extraídas dos celulares. Belline e Paulo Sérgio integravam um grupo de mensagens com Vorcaro, onde alinhavam estratégias e discutiam temas relacionados ao banco. Em um dos diálogos, Vorcaro descreveu Paulo Sérgio como “um anjo na vida” dele, evidenciando a relação próxima entre eles.

Belline, que era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, e Paulo Sérgio, seu adjunto, também se reuniram com Vorcaro em sua casa e discutiram questões que deveriam ser fiscalizadas. As mensagens trocadas indicam que ambos alertavam Vorcaro sobre movimentações que poderiam ser problemáticas para o banco.

Viagens e Vantagens Indebidas

As investigações apontam que as viagens a Paris e à Disney foram apenas algumas das vantagens oferecidas a Paulo Sérgio e sua família. Em 30 de janeiro de 2024, Paulo enviou a Vorcaro um roteiro detalhado de uma viagem para os parques da Disney, que foi organizada com a ajuda de prestadores de serviços de Vorcaro.

A PF também destacou que o pagamento de propinas era facilitado por operadores financeiros, e que as despesas com as viagens eram disfarçadas por meio de contratos fictícios. As reservas em restaurantes de luxo em Paris, como Laperouse e Loulou, foram feitas para garantir que os servidores tivessem uma experiência de alto padrão, o que reforça a gravidade das acusações.

Opinião

A revelação das práticas de Vorcaro e dos servidores do BC lança uma sombra sobre a integridade das instituições financeiras e a necessidade de rigor nas investigações para garantir a transparência e a responsabilidade pública.