A Trocafone, uma das principais empresas brasileiras de compra e venda de celulares usados e recondicionados, é alvo da Operação Frankmobile, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 10 de outubro de 2023. A investigação apura um suposto esquema de furto, roubo, receptação, desbloqueio e comercialização ilegal de celulares na região central de São Paulo.
De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a Trocafone estaria no “topo na cadeia de comercialização” e seria um “nó financeiro central” da rede. Uma fiscalização identificou 759.317 celulares vendidos ou movimentados por uma filial da empresa sem nota fiscal de entrada correspondente ao IMEI, segundo os autos.
Pedido de bloqueio e mandados de busca
O MPSP pediu o bloqueio de até R$ 95,7 milhões relacionados à Trocafone e a suspensão de suas atividades econômicas. A operação mobilizou 1.700 agentes e foi autorizada a cumprir 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária em São Paulo e Goiás.
Modelo de negócio sob suspeita
Segundo o MPSP, o modelo de negócio da Trocafone, que compra aparelhos usados e os revende, poderia ser utilizado para dar aparência legal a celulares provenientes de furtos e roubos. A Promotoria descreve a empresa como parte relevante da etapa final de comercialização dos aparelhos dentro da cadeia investigada.
Em nota enviada ao TechTudo, a Trocafone negou qualquer envolvimento com o esquema criminoso e afirmou que apoia a operação contra o mercado ilegal de celulares. A empresa ressaltou que suas operações foram conduzidas “de boa-fé, com diligências de fornecedores e verificação documental, sem adesão a práticas ilícitas”.
Defesa da Trocafone
A Trocafone também informou que possui mecanismos para coibir a venda de celulares bloqueados ou restritos. Quando identifica bloqueio ou indício de origem ilícita, a companhia segrega imediatamente o aparelho e impede sua continuidade no fluxo comercial.
O que é a Operação Frankmobile?
A Operação Frankmobile é resultado de cerca de dois anos de investigação e visa desmantelar um esquema que funcionava em pelo menos quatro etapas, envolvendo furtos e roubos de celulares, desbloqueio, revenda e até desmontagem para venda de componentes.
Opinião
A investigação da Trocafone levanta questões importantes sobre a legalidade das operações no mercado de celulares usados e a necessidade de rigor nas práticas comerciais para proteger consumidores e empresas.





