Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países já sofreram, no período de um ano, algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. O relatório Pelos Olhos das Crianças, lançado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revela dados alarmantes sobre a situação atual.
Acredita-se que 9 milhões tenham sido induzidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens desse cunho contra sua vontade, enquanto 4 milhões tiveram imagens vazadas. Além disso, o número de crianças expostas a conteúdo sexual indesejado é estimado em 15 milhões.
Dados preocupantes
Os especialistas do Unicef alertam que os números podem ser ainda maiores, já que muitas vítimas não comunicam o que aconteceu. Mais de 40% das ocorrências informadas não foram reveladas pelas vítimas, que muitas vezes não sabem a quem recorrer. O relatório destaca que, em média, cerca de 60% dos casos ocorreram em redes sociais como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp.
Notavelmente, 57% dos casos envolveram alguém do convívio da vítima, incluindo familiares e amigos, desafiando a ideia de que a violência online é perpetrada principalmente por estranhos. O relatório também indica que 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet.
Impacto emocional
A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, comentou sobre o profundo desgaste emocional que essas experiências causam nas crianças, que muitas vezes sofrem em silêncio. “Nós não podemos ignorar isso”, afirmou.
O Brasil, especificamente, teve 19% dos entrevistados marcados por violência, o que equivale a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Menos de 1% das ocorrências foram denunciadas, com a internet respondendo por 55,5% dos casos brasileiros.
Opinião
Os dados do Unicef são um chamado urgente à ação. É fundamental que a sociedade se mobilize para proteger nossas crianças e adolescentes dos perigos do ambiente digital.





