Economia

Federal Reserve pressiona mercados: Dow Jones e S&P 500 caem após dados de emprego

Federal Reserve pressiona mercados: Dow Jones e S&P 500 caem após dados de emprego

Os principais índices de ações de Nova York estão em queda nesta sexta-feira, pressionados por um aumento significativo nos rendimentos dos Treasuries, após dados de emprego mais fortes do que o esperado nos Estados Unidos. Ontem, as bolsas americanas mostraram otimismo, mas o relatório de empregos divulgado hoje reforçou a expectativa de um possível aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed) em setembro.

Por volta das 10h35 (de Brasília), o índice Dow Jones apresentava uma queda de 0,23%, atingindo 53.563 pontos, enquanto o S&P 500 cedia 0,10%, aos 7.739 pontos. O Nasdaq também registrou uma leve queda de 0,01%, chegando a 26.581 pontos. A maioria dos setores da bolsa americana operava no negativo, exceto o setor de tecnologia, que subiu 0,62%, e o setor industrial, que teve um leve aumento de 0,07%.

Dados de Emprego e Expectativas do Mercado

De acordo com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, a economia criou 162 mil vagas em agosto, superando a estimativa média de 53 mil vagas dos economistas consultados. Além disso, os números de meses anteriores foram revisados para cima, o que trouxe um novo foco sobre o mercado de trabalho.

Os rendimentos dos Treasuries aumentaram e atingiram máximas do dia após a divulgação desses dados, que reacenderam as apostas em um aperto monetário pelo Fed neste mês. Segundo o CME FedWatch Tool, que analisa dados de futuros dos Fed funds, as expectativas de um aumento de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do banco central americano subiram para 60,2%, em comparação com 49,4% do dia anterior.

Preocupações com a Estagnação das Contratações

No entanto, o economista-chefe da TS Lombard, Steven Blitz, alerta que, ao excluir os setores de saúde, serviços sociais, hospedagem e alimentação, o aumento total de empregos privados foi de apenas 37.900 em agosto, comparado a 66.400 em julho e 16.500 em junho. Isso sugere uma estagnação nas contratações, que, segundo ele, vem mostrando uma tendência de enfraquecimento desde maio.

Blitz afirma que, na visão do presidente do Fed, o crescimento econômico não pode ocorrer sem uma aceleração da inflação. Portanto, o emprego, por si só, não será suficiente para justificar um aumento nas taxas de juros. Ele finaliza dizendo que a reunião de setembro do Fed se resume a um único fator: a inflação de agosto.

Opinião

A queda dos índices de ações reflete a tensão entre crescimento econômico e política monetária, evidenciando a fragilidade do mercado diante de dados de emprego mistos.