Em um cenário eleitoral polêmico, ao menos 29 candidatos adotaram “Bolsonaro” como nome de urna nas eleições de 2026. Os registros da Justiça Eleitoral revelam que o sobrenome é utilizado por familiares, aliados e até mesmo por candidatos sem vínculo direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A concentração do uso do sobrenome é notável, com o PL registrando 20 das 29 candidaturas. Entre os candidatos, destacam-se Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, que buscam cargos variados, desde a presidência até o Senado.
Candidaturas e Distribuição Geográfica
A lista abrange todos os cargos em disputa, incluindo 10 candidatos a deputado federal, 10 a deputado estadual, e 5 ao Senado. Os candidatos estão distribuídos por 15 estados, com São Paulo liderando com 8 registros e Rio de Janeiro com 4.
No entanto, a Justiça Eleitoral já questionou o uso do sobrenome em Rio de Janeiro e Mato Grosso, determinando mudanças nos nomes dos candidatos. Por exemplo, um candidato no Rio teve seu uso de “Bolsonaro” barrado, pois poderia causar confusão entre os eleitores.
Uso do Sobrenome por Candidatos sem Parentesco
Curiosamente, a lista inclui candidatos que não têm o sobrenome no registro civil, mas que receberam autorização de Jair Bolsonaro para utilizá-lo. Isso levanta questões sobre a legitimidade e a ética do uso do sobrenome na política. Alguns candidatos, como Hélio Lopes, mudaram seu domicílio para outros estados e adotaram o sobrenome para aumentar sua visibilidade.
Além disso, candidatos de outros partidos também estão explorando o nome, como Wanderson Matozinho de Souza, que adota “Decinho Bolsonaro do Barreiro”, e Vanessa da Silva Oliveira, que se apresenta como “Negona do Bolsonaro”.
Implicações Legais e Opiniões
A situação levanta um debate sobre os limites da legislação eleitoral. O Ministério Público Eleitoral pode questionar o uso do nome, e especialistas afirmam que, embora não haja proibição explícita, a escolha do nome não pode gerar confusão ou ofensa. A Justiça Eleitoral terá que avaliar cada caso individualmente.
A polêmica em torno do uso do sobrenome “Bolsonaro” por tantos candidatos pode impactar a percepção pública e a dinâmica da eleição. A decisão da Justiça em barrar alguns usos do sobrenome mostra que a questão está longe de ser resolvida.
Opinião
A adoção do sobrenome “Bolsonaro” por diversos candidatos reflete a influência contínua do ex-presidente na política brasileira, mas também levanta questões éticas que precisam ser abordadas pela Justiça Eleitoral.





