Economia

Indústria Brasileira de Celulose Enfrenta Queda de 10,5% nas Exportações em 2026

Indústria Brasileira de Celulose Enfrenta Queda de 10,5% nas Exportações em 2026

A indústria brasileira de papel e celulose começou 2026 enfrentando uma queda significativa nas exportações, após atingir volumes recordes em 2025. No primeiro semestre, os embarques de celulose recuaram 10,5%, totalizando 9,4 milhões de toneladas, enquanto a produção se manteve estável, alcançando 13,9 milhões de toneladas.

Em termos financeiros, as exportações de celulose somaram US$ 5,2 bilhões entre janeiro e junho, representando uma queda de 4%. Quando analisamos toda a cadeia de árvores cultivadas, que inclui outros produtos além da celulose, as vendas externas também tiveram uma diminuição, recuando 5,9% para US$ 7,5 bilhões.

Desempenho Contraditório em 2025

Esses números contrastam com o desempenho de 2025, quando o Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas de celulose, um crescimento de 6,9% em relação a 2024. As exportações avançaram 11,6%, atingindo 20,7 milhões de toneladas, mas a receita não acompanhou esse aumento, resultando em uma redução de 4,8% nas vendas externas de toda a cadeia de árvores cultivadas, que totalizaram US$ 14,9 bilhões.

Fatores que Influenciam o Mercado

A mudança de cenário foi mais evidente nos primeiros seis meses de 2026, com a produção de celulose se mantendo quase no mesmo nível do ano anterior, mas com uma diminuição significativa nas exportações. O ambiente internacional, marcado por maior protecionismo e mudanças nas cadeias globais de fornecimento, trouxe incertezas para um setor que depende fortemente do mercado externo.

Investimentos e Expansão do Setor

Apesar da desaceleração nas exportações, o setor continua em expansão, com investimentos previstos de R$ 105 bilhões até 2028. Esses recursos serão destinados à construção e ampliação de fábricas, modernização de unidades existentes, expansão florestal e melhorias na infraestrutura logística. Estados como Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia e Paraná estão concentrando parte desses novos projetos.

A Suzano prevê despesas anuais de capital entre R$ 10,9 bilhões e R$ 13,3 bilhões, enquanto a Klabin tem cerca de 60% do seu Ebitda associado ao segmento de embalagens, o que diminui a exposição aos preços internacionais da celulose. A Eldorado Brasil foca na produtividade das operações florestais e logísticas no Centro-Oeste.

Aspectos da Produção Florestal

O ciclo do eucalipto no Brasil varia de seis a sete anos, o que permite uma produção mais rápida em comparação com outras regiões do mundo. Além disso, cerca de 90% da energia utilizada pela cadeia de árvores cultivadas no Brasil é renovável, com algumas fábricas gerando energia suficiente para suas operações e até mesmo para a rede elétrica.

Opinião

O setor de celulose brasileiro enfrenta um momento desafiador, mas os investimentos em inovação e expansão podem ser a chave para reverter a tendência de queda nas exportações e aumentar a competitividade no mercado internacional.