O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), atendeu a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e agendou para segunda-feira, 31 de agosto, a votação da medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas”. Essa taxa refere-se ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
A proposta, que foi baixada por Lula em maio de 2026, visa melhorar sua popularidade em um ano eleitoral e tem validade até 8 de setembro de 2026. A análise da proposta ocorrerá em uma comissão mista às 16h, seguida pela votação no plenário da Câmara, prevista para 18h.
Compromissos e Riscos
Após uma reunião com Lula, Davi Alcolumbre (União-AP) garantiu que a continuidade da medida será promovida. O clima de reaproximação entre Lula e Alcolumbre facilitou o avanço dessa proposta e outras, como a PEC da Segurança Pública e o marco legal para a exploração de minerais raros.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi nomeado para presidir a comissão que analisará a proposta, enquanto a relatoria ficou com a senadora Leila Barros (PDT-DF). O compromisso de que a proposta não caducará foi reafirmado por Alcolumbre durante a reunião.
Reações da Indústria
Entretanto, a proposta enfrenta oposição de diversas entidades, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que já haviam solicitado que a discussão não avançasse durante o período eleitoral. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o fim da “taxa das blusinhas” pode resultar na perda de até 100 mil empregos no Brasil, pois tornaria os produtos importados mais competitivos em relação aos nacionais.
O economista Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, destacou que a eliminação do imposto pode custar ao país cerca de R$ 21 bilhões em produção, ao redirecionar o consumo de produtos nacionais para importados.
Opinião
A votação da medida que acaba com a ‘taxa das blusinhas’ é um momento crucial para a economia brasileira, refletindo tensões entre interesses políticos e as preocupações da indústria nacional.





