Empresários argentinos têm aproveitado a melhora das condições financeiras na Argentina para comprar empresas brasileiras, em um cenário econômico oposto enfrentado no Brasil, que inclui juros altos e ativos em dificuldade. Em 2025, companhias argentinas realizaram 18 operações de aquisição no Brasil, segundo levantamento da consultoria TTR Data. O país se destacou como o principal destino do capital argentino, superando os Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar com 11 operações.
Enquanto isso, as fusões e aquisições de empresas argentinas por grupos brasileiros somaram 10 operações no mesmo ano, evidenciando uma inversão nas transações comerciais entre os dois países. Em 2026, a tendência de aquisição se mantém: em maio, o laboratório argentino Elea comprou o controle da Cellera Farma, e em julho, a fintech Cocos Capital adquiriu ativos da Warren.
O impacto da inflação e juros
A inflação na Argentina atingiu 33,8% em julho de 2026, enquanto a taxa Selic no Brasil estava em 14% em agosto do mesmo ano. Essa diferença nas taxas de juros faz com que o juro real na Argentina seja negativo, permitindo que empresários argentinos vejam oportunidades de investimento no Brasil, onde as empresas estão se tornando mais baratas.
O economista Matheus Jaconeli ressalta que a recuperação judicial de empresas no Brasil cresceu 22% em relação a 2025, devido aos altos custos de crédito. A combinação de juros reais negativos na Argentina e a estabilização cambial favorecem a decisão de compra de ativos no Brasil.
Oportunidades no Brasil
O Brasil, com um mercado consumidor de 213 milhões de habitantes, oferece uma escala e diversificação atraentes para investidores argentinos. A proximidade cultural e a integração via Mercosul facilitam a entrada de empresários argentinos no mercado brasileiro, que já conta com grupos como a Corporación América e a Werthein.
Um dos principais protagonistas desse movimento é o empresário Marcelo Mindlin, que assumiu o controle da InterCement em abril de 2026, após a empresa entrar em recuperação judicial com uma dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões. A família Mindlin também está envolvida na compra de ativos da Warren por parte da Cocos Capital, liderada por seu filho, Nicolás Mindlin.
Opinião
A crescente presença de investidores argentinos no Brasil reflete não apenas uma mudança nas condições econômicas, mas também uma nova dinâmica no mercado sul-americano, onde as oportunidades de crescimento se tornam cada vez mais interligadas.





