Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade. É o que reflete a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, cujas vidas mudaram a partir de saberes tradicionais que transformaram a forma de renda local.
No centro dessa história está o peixe ubarana, que até então não era valorizado comercialmente por pescadores e pescadoras. É da Cozinha das Caranguejeiras, inaugurada em 2023, que saem pratos como estrogonofe, almôndegas e coxinhas, todos feitos com a ubarana.
Transformação e Renda
A técnica utilizada pelas mulheres para processar a carne do peixe, baseada em saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana, agora servida em almoços especiais para a comunidade, turistas e empresas. Márcia Regina, pescadora aposentada e atual secretária da ACAMM, destaca que o trabalho na cozinha também tem um forte componente social, ajudando mulheres a superarem dificuldades emocionais.
Com o apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha conquistou um espaço maior na sede da ACAMM, permitindo que 15 mulheres atuem em formato de rodízio e gerem renda para 24 famílias. A ubarana, anteriormente um complemento de segurança alimentar, agora é o carro-chefe dos pratos vendidos.
Conservação e Sustentabilidade
O presidente da ACAMM, Rafael Santos, explica que a renda dos pescadores da região também é garantida por ações de conscientização sobre a preservação do manguezal. Desde janeiro, 12.622 quilos de resíduos foram retirados do Rio Suruí como parte da Operação LimpaOca, que visa garantir a qualidade do ambiente onde a ubarana é encontrada.
Além disso, a ACAMM incentiva o Turismo de Base Comunitária na Baía de Guanabara, promovendo a observação da fauna e flora local, com foco na educação ambiental.
Opinião
A história da ACAMM e da ubarana é um exemplo inspirador de como a valorização de saberes locais pode transformar a realidade de uma comunidade, unindo renda e preservação ambiental.





