Economia

Casas Bahia e Marabraz lutam para evitar o mesmo destino de Mesbla e Mappin

Casas Bahia e Marabraz lutam para evitar o mesmo destino de Mesbla e Mappin

Grandes nomes do varejo brasileiro, como Casas Bahia e Marabraz, protocolaram pedidos de recuperação judicial recentemente para tentar sobreviver a graves crises financeiras. O movimento repete um ciclo histórico no país, onde marcas que já foram gigantes e líderes de mercado, como Mesbla, Mappin e Aruapã, acabaram desaparecendo após não conseguirem renegociar suas dívidas bilionárias.

O declínio de Mesbla e Mappin

A Mesbla e o Mappin foram referências por décadas como lojas de departamentos que vendiam de tudo, funcionando como shoppings em um único prédio. No entanto, nos anos 90, o modelo perdeu força com a estabilização da moeda pelo Plano Real. Antes, as empresas lucravam estocando produtos para se proteger da inflação; com o fim da alta desenfreada de preços, essa estratégia virou um custo pesado. Além disso, o surgimento de shopping centers e lojas especializadas tirou a exclusividade dessas gigantes, que não suportaram o endividamento e tiveram a falência decretada em 1999.

Aruapã e Lojas Paraíso: um caminho similar

Tanto a Aruapã quanto as Lojas Paraíso basearam seu sucesso no crediário para consumidores de baixa renda. Na década de 90, a Aruapã chegou a ser a maior varejista do Brasil, mas a dependência excessiva das vendas a prazo se tornou uma armadilha. Com o aumento do desemprego e dos juros na época, a inadimplência disparou, drenando o caixa das empresas. A Aruapã acumulou dívidas de R$ 1 bilhão e, após anos de disputas judiciais, teve a falência confirmada definitivamente em 2020. No Nordeste, as Lojas Paraíso seguiram caminho similar, fechando a maioria das unidades em 1999.

O colapso das livrarias

A crise nas livrarias reflete uma mudança profunda nos hábitos de consumo e a digitalização do mercado editorial. A Saraiva, que chegou a dominar 20% do mercado nacional, e a Livraria Cultura sofreram com a migração das vendas para o comércio eletrônico e a concorrência de grandes plataformas globais. O alto custo de manter lojas físicas gigantescas e o endividamento acumulado levaram ambas à recuperação judicial em 2018. Enquanto a Saraiva teve a falência decretada em 2023 após fechar todas as suas lojas, a Cultura ainda vive uma longa batalha judicial para evitar o mesmo fim.

O impacto da pandemia na Ricardo Eletro

A Ricardo Eletro expandiu-se agressivamente nos anos 2000 por meio de aquisições, formando o grupo Máquina de Vendas. No auge, operava 1,2 mil lojas, mas o crescimento gerou um endividamento de R$ 4 bilhões. A crise sanitária de 2020 foi o golpe final: com o fechamento obrigatório do comércio físico, a empresa perdeu 90% do faturamento. Para tentar se salvar, a rede fechou todas as suas cerca de 300 lojas físicas remanescentes e demitiu 3,5 mil funcionários, tentando focar exclusivamente na operação digital, já que não possui mais pontos de venda físicos sob suas bandeiras.

Opinião

A crise no varejo brasileiro evidencia a fragilidade de modelos de negócios que não se adaptam às mudanças do mercado e ao comportamento do consumidor.