Enquanto o Brasil debate a jornada de trabalho 6×1, a OpenAI, criadora do ChatGPT, se vê em uma contradição. Embora a empresa tenha defendido a adoção de uma rotina de quatro dias de trabalho por semana, a realidade para seus funcionários é bem diferente, com jornadas que podem chegar a 70 horas semanais, conforme reportado pela BBC.
No início deste ano, a OpenAI recomendou que as empresas adotassem a semana de quatro dias, argumentando que a inteligência artificial poderia facilitar essa mudança, permitindo um dia de folga em comparação ao modelo padrão de cinco dias e 80 horas semanais. No entanto, ex-funcionários revelaram que a rotina na empresa era marcada por reuniões de gestão de crise e sprints, períodos intensos de trabalho antes de lançamentos, além de exigências que forçavam os colaboradores a trabalharem nos finais de semana.
Um ex-funcionário comentou: “Você trabalhava no sábado ou no domingo só para se atualizar ou garantir que as coisas não estavam quebradas.” Essa é uma realidade que contrasta com a promessa de que a evolução da IA poderia automatizar rotinas e melhorar a produtividade, permitindo que os funcionários ganhassem mais tempo.
Um estudo da Harvard Business Review destacou que, apesar dos avanços na tecnologia, o uso da IA trouxe um “efeito colateral”, resultando em um aumento da carga de trabalho e mais responsabilidades para os colaboradores. A pesquisa identificou que muitos funcionários passaram a realizar tarefas que antes eram atribuídas a outras áreas, gerando ainda mais pressão sobre suas jornadas.
Opinião
A situação na OpenAI levanta questões sobre a real eficácia da IA na melhoria das condições de trabalho, já que o aumento da carga horária parece contradizer a proposta de otimização das rotinas.





