A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar a Defesa Nacional surge em um contexto de críticas e um histórico de descaso com a pasta. Durante o batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), em julho de 2026, Lula destacou a necessidade de ampliar os gastos com a Defesa, afirmando que o mundo está “cheio de malucos” e que o Brasil não deve ser “pegos de surpresa”.
O presidente justificou sua posição ao mencionar a importância de tratar a Defesa como uma prioridade, especialmente diante de sinais de instabilidade internacional, como as declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia e o Canal do Panamá. Lula também enfatizou que “dinheiro para colocar esse projeto em andamento” será parte de seu programa de governo.
Histórico de descaso e críticas
Entretanto, especialistas apontam que essa declaração representa uma contradição com o histórico das gestões petistas, que foram marcadas por cortes significativos nos investimentos nas Forças Armadas. Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa, criticou a falta de investimento e afirmou que a declaração de Lula é uma confissão de um erro grave, ressaltando que, em assuntos de defesa, erros são mais sérios que crimes.
Rebelo, que atualmente coordena a campanha de Ronaldo Caiado à presidência, argumenta que a declaração de Lula não demonstra autenticidade, mas sim uma resposta a objetivos eleitorais. Além disso, Fabrício Rebelo, pesquisador em Direito e Segurança Pública, ressaltou que a esquerda brasileira, especialmente setores do PT, historicamente mantém uma relação de antagonismo com as Forças Armadas, o que contribuiu para o sucateamento da instituição.
Investimentos e orçamento em queda
O orçamento da Defesa cresceu de R$ 81,9 bilhões em 2015 para R$ 132 bilhões em 2025, mas os gastos ainda se mantêm em um patamar de apenas 1,5% do PIB, quando as Forças Armadas sustentam a necessidade de pelo menos 2% a 2,5% para corrigir o déficit operacional. O professor Alcides Vaz, da UnB, afirma que a sociedade brasileira está afastada do setor de defesa, o que impacta negativamente a destinação de recursos.
Além disso, a maior parte do orçamento é consumida por despesas obrigatórias, como pagamentos a aposentados e pensionistas, limitando os recursos disponíveis para investimentos essenciais à soberania. O Livro Branco de Defesa Nacional indicou que os empenhos caíram de R$ 12,3 bilhões em 2014 para R$ 7,2 bilhões em 2023, uma redução de cerca de 41% em nove anos.
Opinião
A recente mudança de postura de Lula em relação à Defesa Nacional levanta questionamentos sobre a sinceridade de suas intenções e a viabilidade de um projeto consistente para fortalecer as Forças Armadas, especialmente considerando o histórico de descaso com a área.





