O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a possibilidade de impor sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em mais um sinal de deterioração das relações diplomáticas entre Washington e Brasília. A informação foi publicada no dia 16 de outubro pelo Financial Times, que ouviu pessoas familiarizadas com as discussões no governo do presidente Donald Trump.
Segundo o jornal britânico, a administração Trump considera voltar a aplicar sanções previstas na Lei Global Magnitsky, um mecanismo usado pelos Estados Unidos para punir estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos. Apesar das discussões, ainda não há uma decisão sobre a adoção da medida nem prazo para que isso ocorra.
Moraes já havia sido incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky em julho de 2025. Na ocasião, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, acusou o ministro de promover uma campanha de censura, detenções arbitrárias e processos politizados, incluindo ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. As sanções foram retiradas em dezembro de 2025, menos de cinco meses depois de terem sido aplicadas, durante um período de aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, de acordo com o Financial Times, a atenção do governo americano sobre Moraes voltou a crescer, em parte, por causa de uma investigação que reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa no Brasil. O ministro autorizou operações policiais contra um jornalista e duas pessoas apontadas como possíveis fontes de reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino e familiares dele. Moraes sustentou que as informações teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e que sua publicação colocaria em risco a segurança da família do magistrado.
O Departamento de Estado e a Casa Branca não responderam aos pedidos de comentário sobre o assunto. O STF também não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Opinião
A discussão sobre sanções a Alexandre de Moraes reflete as tensões nas relações entre Brasil e EUA, especialmente em temas relacionados à liberdade de imprensa e direitos humanos.





