O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), levantou preocupações sobre a herança fiscal que o próximo governo encontrará, indicando que o Brasil está se encaminhando para uma nova crise. Em uma entrevista ao economista Marcos Lisboa no videocast Desenquadrando, da Folha, Fraga fez uma comparação alarmante com o cenário que precedeu a recessão econômica durante o governo Dilma Rousseff.
Preocupações com a economia
Fraga afirmou que a situação atual é ‘maldita’ e sugere que o país está se movendo em direção a uma situação econômica difícil. Ele destacou que, apesar do desemprego ter recuado para 5,4% no trimestre até junho, esse dado mascara a gravidade da questão fiscal.
Crescimento dos gastos públicos
O ex-presidente do BC observou que o crescimento do gasto público no Brasil aumentou de um quarto para um terço do PIB nas últimas décadas, o que ele considera uma falta de austeridade. Fraga criticou a falta de prioridades na gestão fiscal, afirmando que o crescimento do PIB per capita foi ‘medíocre’ devido a políticas fiscais inadequadas.
Crédito pessoal e inadimplência
Fraga também alertou para o aumento da inadimplência, especialmente no mercado de crédito pessoal, que já apresenta dezenas de milhões de inadimplentes. Ele descreveu a situação como uma onda de problemas que se avolumam, afetando o varejo e outros setores da economia.
Um ciclo político preocupante
O economista mencionou que estamos em um ‘ciclo político clássico’, caracterizado por um aumento dos gastos em ano de eleição, o que resulta em uma economia ‘meio sem rumo’. Segundo ele, essa descoordenação na política macroeconômica é preocupante, com um Banco Central tentando controlar a inflação enquanto há pressão para aumentar os gastos.
Opinião
A análise de Arminio Fraga serve como um alerta sobre a necessidade de uma gestão fiscal mais responsável e de evitar os erros do passado, especialmente em um ano eleitoral.





