O fundo soberano da Noruega, avaliado em US$ 2,3 trilhões, registrou nesta quarta-feira (12) um lucro semestral recorde de mais de US$ 184 bilhões, impulsionado por uma valorização das ações de tecnologia na Ásia que ajudou o fundo a obter um retorno de 9,4%. O Norges Bank Investment Management (NBIM) administra o fundo, criado na década de 1990 para investir as receitas provenientes da indústria de petróleo e gás do país.
Atualmente, o fundo investe em mais de 7 mil empresas em mais de 50 países e detém participações equivalentes a aproximadamente 1,5% das ações de companhias listadas em bolsa no mundo. O lucro nos primeiros seis meses do ano superou 1,75 trilhão de coroas norueguesas, o equivalente a cerca de US$ 184,9 bilhões. “O resultado foi impulsionado pelos bons retornos no mercado de ações, em particular pelas ações de tecnologia asiáticas”, afirmou Nicolai Tangen, CEO do NBIM, em comunicado.
Participação na SpaceX e Conflitos com Musk
O relatório do primeiro semestre foi divulgado ao mesmo tempo em que os gestores do fundo revelaram uma participação de 0,05% na SpaceX, avaliada em pouco mais de US$ 1,2 bilhão. Essa participação é pequena em comparação com outros investimentos do fundo, como os 1,3% da Nvidia, avaliada em US$ 61,8 bilhões, e 1,2% da Apple, avaliada em US$ 52,7 bilhões em 30 de junho.
Com o investimento na SpaceX, o NBIM se torna um importante investidor nas duas empresas de capital aberto lideradas por Elon Musk. No entanto, Musk mantém uma relação conturbada com o fundo. Em 2024, o fundo votou contra o pacote de remuneração de US$ 56 bilhões de Musk na Tesla. Posteriormente, foi noticiado que Musk recusou um convite de Tangen para um jantar privado e uma conferência organizada pelo NBIM em Oslo.
“Quando peço um favor a você, o que faço muito raramente, e você recusa, então não deveria me pedir nenhum até que tenha feito algo para reparar a situação”, escreveu Musk, segundo relatos. O NBIM também votou contra o pacote de remuneração de US$ 1 trilhão de Musk na assembleia anual de acionistas da Tesla, no fim de 2025.
Alertas sobre os Mercados e o Futuro do Fundo
Durante a coletiva, Tangen destacou o papel do setor de semicondutores no crescimento do fundo no primeiro semestre. “Chips, chips, chips, chips”, afirmou, diante de um gráfico com as ações de melhor desempenho no portfólio, incluindo Samsung, SK Hynix, TSMC, ASML, Intel e Nvidia. O fundo também enfrentou volatilidade, com investimentos em ações recuando 2,6% no primeiro trimestre, mas avançando 15,98% no segundo trimestre.
Tangen definiu o fundo soberano como um “cofrinho de toda a Noruega”, mas alertou que o país “precisa estar preparado para que o valor suba e caia”. Ele afirmou que “o fundo pode desaparecer? A resposta é ‘sim’, e o pior é que, no mundo em que vivemos hoje, isso é bastante provável”.
Opinião
O desempenho impressionante do fundo soberano da Noruega destaca a importância de diversificação e gestão prudente em tempos de volatilidade nos mercados financeiros.





