Morreu na tarde de ontem, aos 58 anos, em Campo Grande, o arquiteto, artista plástico, designer e cenógrafo Luis Pedro Scalise, um dos principais nomes da produção artística e arquitetônica de Mato Grosso do Sul. Dono de uma trajetória de mais de 35 anos, ele construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras entre arte, arquitetura e comunicação, deixando sua assinatura em espaços emblemáticos da Capital e em projetos realizados no Brasil e no exterior.
Scalise estava internado em estado grave na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Unimed, em Campo Grande. Nos últimos dias, familiares haviam informado que ele apresentava boa resposta ao tratamento e pediram orações por sua recuperação. A causa da internação não foi divulgada.
Trajetória e Contribuições
Ao longo de mais de 35 anos de atuação, Luis Pedro Scalise consolidou um estilo próprio, caracterizado pelo uso intenso das cores, pela cenografia, pelo diálogo entre diferentes linguagens e pela valorização da identidade como elemento central da criação. Seu trabalho transitou por artes plásticas, arquitetura, urbanismo, design de interiores, cenografia e comunicação visual, tornando-o uma das figuras mais reconhecidas da produção cultural sul-mato-grossense.
Natural de Florianópolis (SC), Scalise encontrou em Mato Grosso do Sul o lugar onde desenvolveu praticamente toda a sua carreira. A relação com a arte começou muito cedo. Autodidata, pintou seu primeiro quadro aos 3 anos de idade e, ainda criança, passou a frequentar o ateliê da artista plástica Inês Corrêa da Costa, que havia sido discípula de Candido Portinari.
Projetos Marcantes
Grande parte da memória afetiva da vida noturna de Campo Grande passa pelas mãos de Luis Pedro Scalise. Entre seus projetos mais emblemáticos está o Pele Vermelha, inaugurado em 2002. Considerado pelo próprio arquiteto uma de suas obras mais importantes, o espaço rompeu padrões ao reunir uma floresta cenográfica, esculturas, elementos cênicos e até a carcaça de um avião suspensa na decoração.
Outro projeto que entrou definitivamente para a memória da população foi a Casa do Papai Noel. Criada no fim da década de 1990 em sua própria residência, no Jardim dos Estados, a decoração natalina se transformou rapidamente em uma das principais atrações de fim de ano da Capital. Em 2005, segundo números divulgados pelo próprio arquiteto, mais de 148 mil pessoas passaram pelo espaço, que chegou a reunir 48 ambientes cenográficos cuidadosamente planejados.
Reconhecimento e Legado
A originalidade de seu trabalho também ganhou projeção nacional. Em 2012, foi convidado pela Disney para criar um ambiente temático durante a Casa Cor São Paulo, por ocasião do lançamento do filme “Valente” no Brasil. No ano passado, quando completou 35 anos de carreira, recebeu uma homenagem do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS) e do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de Mato Grosso do Sul (IAB-MS), em reconhecimento à contribuição deixada para a arquitetura, a cenografia e o design.
Opinião
A morte de Luis Pedro Scalise representa uma grande perda para a cultura e a arquitetura de Campo Grande, deixando um legado que será lembrado por gerações.





