Política

Ministério Público exige cumprimento de sentença sobre saúde em Campo Grande

Ministério Público exige cumprimento de sentença sobre saúde em Campo Grande

Diante da persistência de irregularidades no Centro Regional de Saúde (CRS) do bairro Nova Bahia, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) decidiu solicitar à Justiça o cumprimento de uma sentença judicial que obriga a Prefeitura de Campo Grande a corrigir falhas estruturais, sanitárias e de atendimento na unidade.

O MPMS também requer a aplicação de uma multa diária de R$ 50 mil, limitada a R$ 20 milhões, caso as determinações judiciais continuem sendo descumpridas. O pedido foi protocolado após constatações de que, mesmo com uma decisão judicial definitiva em vigor desde junho de 2022, diversos problemas permanecem sem solução.

Ação Civil Pública e Sentença Judicial

A ação do MPMS teve início em 2016, quando foi ajuizada uma Ação Civil Pública para exigir melhorias na unidade de saúde. Após a produção de provas, a Justiça determinou que o município equipasse adequadamente o CRS, mantivesse escalas regulares de profissionais e sanasse as falhas sanitárias identificadas.

Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) ampliou as obrigações ao dar provimento ao recurso do MPMS, exigindo manutenções preventivas e corretivas nos equipamentos e a regularização das escalas de médicos clínicos gerais e pediatras. Essa decisão transitou em julgado em junho de 2022.

Irregularidades Persistentes

Apesar do encerramento da fase de conhecimento do processo, o MPMS continuou acompanhando o caso através de inquérito civil, diligências, reuniões técnicas e inspeções. As fiscalizações mais recentes indicaram que diversas irregularidades ainda persistem na unidade, incluindo a falta de medicamentos essenciais, insuficiência de equipamentos e dificuldades no atendimento aos usuários do SUS.

Relatórios do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), da Assessoria Técnico-Pericial do MPMS e do Conselho Municipal de Saúde apontaram problemas como a existência de apenas um monitor multiparamétrico em funcionamento para atender três leitos de emergência e a ausência de medicamentos básicos para suporte à vida.

Medidas Coercitivas

Diante desse cenário, o MPMS concluiu que o município não cumpriu integralmente as determinações judiciais e ingressou com um pedido de execução da sentença. O órgão requer que a Prefeitura comprove a adoção de todas as medidas determinadas pela Justiça, incluindo a disponibilização dos equipamentos previstos nas normas do Ministério da Saúde, a regularização do quadro de profissionais e a adequação sanitária da unidade.

Além disso, o MPMS solicita a aplicação da multa diária de R$ 50 mil e a adoção de medidas coercitivas para assegurar a efetividade da decisão judicial. Para o MPMS, a permanência das irregularidades após anos de fiscalização demonstra a necessidade de uma intervenção judicial mais rigorosa.

Opinião

A situação do CRS do bairro Nova Bahia ressalta a urgência de um compromisso real com a saúde pública, visando garantir um atendimento digno à população.