Política

Senador Jaques Wagner e ex-sócio do Master têm 74 ligações investigadas pela PF

Senador Jaques Wagner e ex-sócio do Master têm 74 ligações investigadas pela PF

A Polícia Federal (PF) identificou 74 chamadas de áudio entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, no período de novembro de 2023 a 25 de maio de 2025. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo das apurações no caso na quinta-feira (30). A PF investiga a suposta atuação de Wagner para beneficiar o Master, enquanto o político nega as acusações.

As ligações somaram mais de cinco horas e trinta minutos em 555 dias, indicando uma proximidade entre o senador e Lima. Segundo a PF, as conversas foram predominantemente realizadas por chamadas de voz, uma estratégia para evitar registros escritos. Os diálogos revelam que Augusto Lima frequentemente repassava informações sensíveis ao parlamentar por áudio ou ligação telefônica.

Operação Compliance Zero

Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero em junho de 2023. O relatório da PF, enviado a Mendonça, destaca que as ligações indicam uma “notória proximidade” entre o senador e o ex-sócio do Master, com mensagens de afeto entre eles e suas famílias. As investigações também apontam que a relação inclui manifestações de afeto e presentes trocados entre autoridades do Estado da Bahia.

Suspeitas de Vantagens

Entre as principais suspeitas, está a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões, que teria sido adquirido por Lima. A PF investiga se Wagner atuou para atender aos interesses de Lima e do banco, em troca de vantagens. Além do imóvel, estão as compras de ingressos para shows da Taylor Swift no valor de R$ 63 mil e viagens em um jatinho emprestado por Lima.

Durante a operação, a PF encontrou ainda US$ 49 mil e 33,5 mil euros em locais ligados ao senador. As investigações também se concentram em uma emenda que favorece o Master, a chamada emenda Master, apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI).

Defesa de Wagner

A defesa de Wagner busca a anulação da operação, alegando que ele nunca atuou para favorecer o Master. Alega que a única emenda de sua autoria limitava juros e protegia os consumidores, o que contraria os interesses do banco. Além disso, a defesa afirma que os valores encontrados em espécie eram provenientes de diárias pagas pelo Senado.

Monitoramento e Risco de Vazamento

Em decisão anterior, Mendonça autorizou o monitoramento dos celulares de Wagner e Lima, justificando que isso poderia avançar a investigação. O ministro apontou também o risco de vazamento da operação, uma vez que Wagner solicitou uma audiência ao seu gabinete no mesmo dia em que a PF enviou pedidos de busca e apreensão.

Opinião

A investigação envolvendo Jaques Wagner e Augusto Lima levanta questões sobre a ética nas relações entre políticos e instituições financeiras, evidenciando a necessidade de transparência e responsabilidade.