A antiga sede dos Correios, localizada na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro, será leiloada no dia 30 de outubro. O valor inicial do leilão é de R$ 53,6 milhões, e o certame ocorrerá exclusivamente pela internet na plataforma VIP Leilões.
Este imóvel, um dos marcos históricos da região da Praça XV, está tombado em nível federal e possui uma área construída de cerca de 9 mil metros quadrados e um terreno de aproximadamente 1.585 metros quadrados. A proximidade com importantes pontos turísticos como o Paço Imperial e a Igreja da Candelária levanta discussões sobre o futuro do edifício e sua integração ao patrimônio histórico e cultural do centro da capital fluminense.
Discussões sobre o tombamento
A presidente em exercício do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Isabel Rocha, ressaltou que o tombamento protege as características do edifício, mas não impede a transferência de propriedade. Ela afirmou que “o tombamento não retira a propriedade” e que o imóvel pode ser vendido, alugado ou cedido, embora o novo proprietário não possa demolir ou descaracterizar o bem sem autorização.
Isabel expressou preocupação com o uso futuro do imóvel, destacando que, em um leilão, não há controle sobre quem irá ocupar o espaço. “É importante que o vencedor do leilão tenha plena consciência do objeto que está adquirindo”, disse. O CAU/RJ teme que a venda impacte negativamente a paisagem histórica da região.
Posição dos Correios e do Iphan
Os Correios informaram que a venda do imóvel faz parte de um processo de reestruturação e revisão de sua carteira imobiliária. A alienação de ativos ociosos visa reduzir despesas e viabilizar reinvestimentos. O Iphan, por sua vez, esclareceu que não interfere na transferência de bens tombados e que a responsabilidade pela manutenção do imóvel permanece com o proprietário, independentemente de mudanças na titularidade.
O leilão da antiga sede dos Correios representa não apenas uma oportunidade de investimento, mas também um desafio sobre como preservar a história e a cultura da região diante de novas posses.
Opinião
A venda de um imóvel tão significativo levanta questões importantes sobre a preservação do patrimônio histórico e o uso futuro do espaço, que devem ser cuidadosamente consideradas.





