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Associação Médica Britânica alerta sobre conteúdo médico falso no TikTok

Associação Médica Britânica alerta sobre conteúdo médico falso no TikTok

O avanço de perfis criados com inteligência artificial (I.A) para simular médicos e profissionais de saúde está preocupando especialistas no Reino Unido. Uma pesquisa divulgada em julho de 2023 mostrou que vídeos produzidos por essas contas acumulam milhões de visualizações no TikTok enquanto divulgam informações falsas sobre doenças, tratamentos e supostas curas.

De acordo com o The Guardian, o estudo reforça alertas de entidades médicas de que esse tipo de conteúdo pode colocar a população em risco ao estimular decisões baseadas em desinformação. O levantamento foi realizado pela agência de marketing digital Hallam, que analisou 1.198 vídeos publicados no TikTok relacionados a temas de saúde.

Conteúdo gerado por I.A em vídeos populares

O estudo identificou que conteúdos produzidos ou fortemente apoiados por inteligência artificial estavam presentes em 40% dos vídeos mais populares da plataforma. Em algumas buscas específicas, como aquelas relacionadas a dicas de saúde, a participação desse tipo de conteúdo foi ainda maior, chegando a 84% dos vídeos analisados.

Os pesquisadores alertam que muitos desses perfis utilizam tecnologia de deepfake para reproduzir a aparência e a voz de médicos, transmitindo uma falsa impressão de credibilidade.

Riscos à saúde pública

A Associação Médica Britânica afirmou que o crescimento desses perfis representa um problema sério para a saúde pública. A vice-presidente do conselho da entidade, Dra. Emma Runswick, disse que a proliferação de contas que divulgam mitos médicos e promovem supostas curas milagrosas aumenta o risco de pessoas seguirem orientações sem qualquer base científica.

Ela defendeu que plataformas digitais adotem medidas mais rígidas para impedir a circulação desse tipo de conteúdo, alertando que a população pode sofrer consequências graves ao confiar em informações falsas. Entre os conteúdos identificados pela pesquisa estavam vídeos que associavam o desenvolvimento de câncer ao uso de recipientes plásticos no micro-ondas e ao hábito de dormir próximo ao celular, alegações já desmentidas por instituições especializadas.

Preocupação do Serviço Nacional de Saúde

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido também manifestou preocupação com o avanço da desinformação nas redes sociais. A diretora médica nacional do NHS England, professora Frankie Swords, afirmou que médicos têm recebido um número crescente de pacientes inseguros após consumirem informações falsas publicadas na internet.

Ela ressaltou que muitos desses conteúdos são produzidos apenas para atrair visualizações, sem qualquer compromisso com a qualidade da informação. A presidente do Royal College of GPs, professora Victoria Tzortziou Brown, também alertou que materiais enganosos produzidos com inteligência artificial representam um risco concreto de danos à saúde.

Impacto nas decisões de saúde

Uma pesquisa anterior realizada pela organização Healthwatch England mostrou que cerca de um em cada cinco adultos na Inglaterra utiliza redes sociais para buscar informações relacionadas à saúde. Segundo a entidade, pessoas que não conseguem diferenciar conteúdos confiáveis de propaganda ou desinformação ficam mais vulneráveis a decisões que podem comprometer o próprio tratamento e a própria saúde.

Após a divulgação da pesquisa, o TikTok informou que o estudo não representa de forma precisa o funcionamento da plataforma. A empresa afirmou que remove conteúdos falsos e prejudiciais relacionados à saúde, incluindo aqueles produzidos com inteligência artificial, e que mantém parcerias com organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde e o NHS.

Opinião

A crescente presença de conteúdos médicos gerados por I.A nas redes sociais destaca a necessidade urgente de regulamentações mais rigorosas para proteger a saúde pública e garantir informações precisas aos usuários.