O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou os resultados das investigações sobre a queda da aeronave PS-VPB, da Voepass, ocorrida no dia 9 de agosto de 2024. O acidente resultou na morte de 62 pessoas, incluindo 4 tripulantes, e levantou sérias questões sobre a segurança operacional da companhia.
Falhas no sistema e cultura organizacional
A análise do Cenipa revelou que a aeronave, um ATR-72 212A, apresentava falhas no sistema de degelo e que alertas emitidos durante o voo foram ignorados. Além disso, foi identificada uma cultura organizacional na Voepass que desencorajava o relato de falhas por parte dos pilotos. Em investigações que analisaram cerca de 15 mil voos, 1.674 apresentaram alertas de degradação, mas esses problemas não eram reportados.
O Tenente-Coronel Fróes, Investigador-Encarregado do Cenipa, destacou que “três tripulações diferentes realizando normalização de desvio [de procedimento]” demonstram uma falha sistêmica na comunicação e na segurança da companhia.
Alertas ignorados e manutenção inadequada
Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema da aeronave alertou para o acúmulo de gelo, mas os pilotos optaram por desligar o sistema de degelo após ele apresentar falhas. O procedimento correto, segundo o Cenipa, seria reiniciar o sistema ou descer a aeronave para níveis mais baixos. No entanto, essa abordagem não foi adotada, resultando em uma perda gradual de controle.
Além disso, a investigação revelou que a aeronave não deveria ter voado devido a problemas nos limpadores de para-brisa, que limitavam a operação em condições climáticas adversas. Mesmo com a detecção de problemas, a manutenção da Voepass não cumpria os requisitos de segurança necessários, com mecânicos relatando a troca de componentes falhos entre aeronaves.
Opinião
A tragédia da Voepass serve como um alerta para a necessidade de uma revisão urgente nas práticas de segurança e na cultura organizacional das companhias aéreas.





