O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, fez um alerta preocupante sobre a segurança energética global, afirmando que a situação pode se agravar se os Estados Unidos e o Irã não restabelecerem rapidamente o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Durante um evento do Council on Foreign Relations, Birol destacou que “a segurança do abastecimento de petróleo continua sendo uma questão crítica”.
Impacto do bloqueio no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, que representa uma via marítima crucial entre Irã e Omã, está bloqueado desde o início do conflito em 28 de fevereiro. Antes da guerra, cerca de 20% das remessas mundiais de energia passavam por essa rota. Birol expressou sua preocupação, afirmando que “devemos estar preocupados”, se a situação não melhorar nas próximas semanas.
Medidas adotadas e seus efeitos
Apesar do aumento significativo nos preços da energia, Fatih Birol mencionou que diversos fatores ajudaram a moderar essa alta, incluindo os estoques da China, que somavam mais de 1 bilhão de barris de petróleo antes da guerra, e a liberação coordenada pela AIE de 400 milhões de barris de petróleo. Essa liberação fez com que os preços do petróleo caíssem cerca de US$ 20 por barril.
Birol também ressaltou que os Estados Unidos, como maior produtor mundial de petróleo e gás, podem aumentar sua produção em até 2 milhões de barris por dia, embora não seja suficiente para compensar a crise. “É muito positivo”, afirmou, mas alertou que as soluções atuais não são sustentáveis a longo prazo.
Consequências para a Ásia e países em desenvolvimento
A crise no fornecimento de petróleo e gás teve um impacto desigual nas economias globais, afetando especialmente a Ásia, que dependia de 80% a 90% da energia proveniente do Estreito de Ormuz. Países como Japão e Coreia do Sul também foram afetados, mas os impactos mais severos recaíram sobre nações em desenvolvimento, como Paquistão, Bangladesh e Índia.
Birol alertou ainda sobre os riscos à saúde da população, especialmente das mulheres, que passaram a recorrer a combustíveis alternativos, como esterco e lenha, devido à inacessibilidade dos derivados de petróleo, resultando em emissões mais nocivas.
Opinião
A situação no Estreito de Ormuz é uma questão que exige atenção global, pois suas consequências podem afetar a segurança energética de muitos países, especialmente os mais vulneráveis.





