Política

Desembargador Vilson Bertelli suspende intervenção no transporte de Campo Grande

Desembargador Vilson Bertelli suspende intervenção no transporte de Campo Grande

Em decisão liminar proferida no dia 20 de novembro de 2023, o desembargador Vilson Bertelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), suspendeu parte dos efeitos da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande. A medida retira, por ora, a autorização para que os interventores movimentem livremente as contas e estendam a intervenção a empresas coligadas ao Consórcio Guaicurus.

A decisão do desembargador destaca que o documento que originou o processo intervencionista conferiu à equipe interventora “poderes mais amplos do que os previstos nas leis federal e municipal”, além de estar em desacordo com o regime de intervenção estabelecido em lei. Assim, foram suspensos trechos da decisão que autorizavam a livre movimentação das contas pelos interventores.

O processo que culminou na intervenção teve origem em uma ação popular movida por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, conhecido como Luso Queiroz, ex-candidato à prefeitura de Campo Grande. O desembargador também suspendeu os efeitos da declaração de caráter estrutural do processo, argumentando que essa classificação foi definida sem o contraditório prévio exigido pelas normas processuais.

A decisão vale até o julgamento final do recurso pela 5ª Câmara Cível do TJMS. O Consórcio Guaicurus se manifestou, afirmando que a decisão “reafirma a necessidade de que a intervenção observe os limites legais e o devido processo”. Em nota, o consórcio destacou que “as empresas consorciadas seguem à disposição para o diálogo com a Prefeitura em busca de soluções que assegurem a continuidade e a qualidade do transporte coletivo de Campo Grande”.

Além disso, a prefeitura de Campo Grande instaurou um procedimento administrativo para apurar as causas que motivaram a intervenção sobre os serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus. Conforme publicado em edição extra do Diário Oficial da última quarta-feira (15), o processo visa comprovar as causas determinantes da intervenção decretada em junho de 2023 e apurar as responsabilidades da concessionária e de eventuais terceiros envolvidos nas irregularidades que motivaram a intervenção.

A comissão que compõe essa apuração é formada por Edmir Fonseca Rodrigues, procurador do município; Paulo da Silva, diretor da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg); e Ciro Vieira Ferreira, diretor da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

Opinião

A suspensão da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande levanta questões sobre a governança e a transparência nas ações relacionadas ao serviço público, exigindo um acompanhamento atento da sociedade.