O ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), declarou que o Brasil não cederá às exigências dos Estados Unidos para evitar o novo tarifaço de 25% que entrará em vigor em 22 de julho de 2026. Além dessa sobretaxa, o país enfrenta a possibilidade de uma tarifa de 12,5% em investigação sobre suposto trabalho forçado.
Desde a confirmação do novo tarifaço, o governo brasileiro tem criticado a decisão do governo de Donald Trump, chamando-a de motivação política, uma vez que o Brasil não se curvou às “pretensões desmedidas” e às “demandas irrazoáveis” apresentadas.
“O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência que realmente é importante e significativa, e que está nos causando dano. Não vamos ceder”, afirmou Márcio Elias Rosa em entrevista à Folha de S. Paulo.
Negociações com os EUA
O governo brasileiro alega que os Estados Unidos impuseram demandas inaceitáveis durante as negociações comerciais, como a abertura total de setores inteiros da economia sem contrapartidas. Desde o primeiro tarifaço, foram realizadas mais de 30 reuniões com autoridades, tanto presenciais quanto virtuais.
A situação se agravou após uma carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de julho de 2025, na qual o governo justificou o tarifaço de 50% por motivos políticos, tentando interferir no Judiciário brasileiro em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não se pode usar tarifa para fazer distorção política. Eu me recuso a acreditar que seja o novo normal”, completou Márcio Elias Rosa.
Próximos passos do governo brasileiro
O ministro também destacou que os Estados Unidos propuseram que o Brasil reduzisse a zero as tarifas de bens industriais, sem contrapartidas. Essa situação é preocupante, pois o país já enfrenta um déficit de US$ 15 bilhões em 15 anos, o que poderia levar a um rombo ainda maior e comprometer a indústria de base.
Em resposta, o governo brasileiro anunciou a adoção da Lei da Reciprocidade, com a formação de uma comissão que analisará as demandas e estudará as medidas a serem aplicadas.
Opinião
As declarações de Márcio Elias Rosa refletem a posição firme do governo brasileiro em face das pressões externas, destacando a importância da soberania nas negociações comerciais.





