A carta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoio à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou uma mobilização entre seus aliados para reforçar a unidade no campo conservador. A mensagem foi vista como um chamado para consolidar a candidatura de Flávio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest e divulgada em 15 de julho de 2026 mostrou uma queda nas intenções de voto de Flávio, que passou de 84% para 74% entre os eleitores da chamada “direita não bolsonarista”. Além disso, o senador caiu de 32% para 27% entre eleitores independentes, enquanto Lula avançou de 27% para 40% nesse mesmo grupo. O levantamento foi feito com 2.004 eleitores e possui uma margem de erro de 2%.
O desgaste na pré-campanha de Flávio coincide com um conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido “humilhada” e “apunhalada” pelo enteado. Essa situação, somada à busca de Flávio por recursos para financiar o filme Dark Horse, afetou sua imagem e apoio político.
Aliados de Flávio, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), destacaram a importância da carta de Bolsonaro para unir o partido e reduzir conflitos internos. A interpretação é de que o ex-presidente busca consolidar a liderança do PL e encerrar disputas que desgastam a candidatura de Flávio.
Decisão de Moraes e suas consequências
Contudo, o apoio de Bolsonaro não veio sem consequências. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao ex-presidente, alegando que a leitura pública da carta poderia ser uma forma de contornar as restrições impostas a Bolsonaro, que está proibido de usar redes sociais. Moraes também enviou o caso ao Ministério Público Eleitoral para investigar uma possível propaganda eleitoral antecipada.
A defesa de Bolsonaro negou qualquer combinação prévia sobre a divulgação da carta e argumentou que ele tem cumprido todas as condições estabelecidas para sua prisão domiciliar. A decisão de Moraes adicionou um novo elemento à estratégia da campanha de Flávio, que integra a equipe de defesa do ex-presidente.
Opinião
A carta de Jair Bolsonaro pode ter sido um movimento estratégico, mas as tensões geradas pela decisão de Moraes e os conflitos internos podem complicar a trajetória de Flávio na corrida presidencial.





