A recente tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos está gerando um impacto significativo nas exportações brasileiras, que podem totalizar até US$ 11 bilhões, conforme estimativas da Amcham Brasil. Os setores mais afetados incluem máquinas, calçados e móveis, com 20 dos 27 estados brasileiros reportando uma redução nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026.
Impacto nas exportações e setores afetados
A nova tarifa, que deve resultar em uma queda de 13% no comércio bilateral até 2026, tem gerado divisões de opinião entre especialistas. Enquanto Alexandre Chaia, professor do Insper, acredita que os efeitos serão limitados devido à proteção de produtos essenciais como café e carne bovina, Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), argumenta que a situação pode se agravar, afetando ainda mais a indústria brasileira.
Em 2025, as vendas de máquinas brasileiras para os EUA alcançaram US$ 3,2 bilhões, e a participação dos EUA no comércio exterior brasileiro é a menor desde 1997. O aumento das tarifas tende a aprofundar a retração do comércio, especialmente em produtos industriais, que já enfrentam uma queda significativa nas exportações.
Medidas do governo e reações do mercado
Em resposta ao impacto da nova tarifa, o governo federal anunciou a criação de auxílios para os setores mais atingidos. O plano, denominado Brasil Soberano, visa mitigar os danos econômicos e ajudar as indústrias a se adaptarem a essa nova realidade. Com a dependência dos EUA, setores como o de móveis já começaram a diversificar seus mercados, reduzindo a participação americana de 28,3% em 2024 para 16,5% em 2026.
O presidente Lula admitiu a possibilidade de retaliações, mas especialistas como Chaia alertam que essa estratégia pode agravar a situação. A Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) destaca que o aumento das tarifas pode comprometer a competitividade e os investimentos entre os dois países, refletindo em consequências que vão além da relação comercial bilateral.
Opinião
O cenário atual exige cautela e estratégia do Brasil para evitar uma escalada de tensões que possa prejudicar ainda mais a economia e o comércio exterior.





