O governo britânico solicitou nesta quinta-feira que a Fifa investigue a seleção da Argentina após jogadores exibirem uma faixa reivindicando a soberania sobre as disputadas Ilhas Malvinas. A solicitação ocorre após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo, realizada na quarta-feira, em Atlanta.
Durante a comemoração, os jogadores argentinos ergueram uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas”, que foi entregue por torcedores nas arquibancadas. A Argentina refere-se às ilhas como Malvinas, enquanto os britânicos as chamam de Falkland. O arquipélago foi invadido em 1982 pela então ditadura militar argentina, levando a uma guerra de dez semanas vencida pelo Reino Unido, resultando na morte de 649 argentinos e 255 britânicos.
O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a atitude dos jogadores como “totalmente inadequada” e expressou a expectativa de que a Fifa conduza sua investigação de forma rigorosa. A Fifa pode abrir processo contra os jogadores e a Associação do Futebol Argentino devido ao seu Código Disciplinar, que proíbe mensagens não apropriadas para eventos esportivos, incluindo manifestações políticas. As multas por mensagens de caráter político variam entre US$ 5 mil e US$ 20 mil.
A guerra das Malvinas, que ocorreu em 1982, intensificou a rivalidade entre Argentina e Inglaterra, um conflito que é frequentemente relembrado em eventos esportivos. O defensor argentino Lisandro Martínez foi questionado se a faixa poderia ter despertado emoções em veteranos da guerra e respondeu que “não podíamos decepcionar o povo argentino”.
A Fifa ainda não se pronunciou sobre o caso. A entidade foi criticada por sua alegada neutralidade política, especialmente após um incidente em que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, cedeu à pressão do presidente americano Donald Trump em um caso disciplinar envolvendo o jogador Folarin Balogun.
Opinião
A rivalidade entre Argentina e Inglaterra se reflete não apenas no futebol, mas também nas complexas relações políticas, que tornam cada jogo um campo de batalha simbólico.





