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Departamentos de Integridade alertam: comunicação de valores é crucial!

Departamentos de Integridade alertam: comunicação de valores é crucial!

A comunicação dos departamentos de integridade precisa fazer uma pergunta simples e incômoda: o que estamos comunicando quando falamos de integridade? Durante muito tempo, falamos de integridade quase sempre a partir do que não deve ser feito: “não aceite vantagem indevida”, “não pratique assédio” e “não se envolva em conflito de interesses”. Embora essas proibições sejam necessárias, é fundamental refletir sobre a imagem que estamos formando na mente das pessoas.

Quando falamos de integridade apenas pela linguagem do erro, do medo e da punição, talvez estejamos tentando construir confiança usando uma linguagem que reforça a desconfiança. A comunicação de integridade não é neutra; ela educa e direciona a atenção das pessoas, ajudando-as a entender o que é valorizado, esperado ou rejeitado dentro da organização.

Organizações precisam ter regras claras, canais seguros, controles efetivos e responsabilização. Nenhuma cultura de integridade se sustenta quando o erro é ignorado.

A Síndrome da Faculdade de Medicina

No livro “O Jeito Harvard de Ser Feliz”, Shawn Achor menciona a chamada Síndrome da Faculdade de Medicina, onde alunos de medicina, ao aprender sobre doenças, começam a acreditar que são vítimas de todas elas. Essa ideia sugere que aquilo que recebe atenção repetida molda nossa realidade. Assim, quando uma organização fala constantemente sobre corrupção e punição, pode transmitir uma mensagem de que o ambiente é perigoso e moralmente frágil.

Não se trata de ignorar os problemas como fraudes e assédios, mas sim de não permitir que esses temas sejam o único foco da comunicação de integridade. É crucial comunicar o que se espera das pessoas: valores como confiança, respeito, cuidado, responsabilidade, transparência, justiça, cooperação e serviço bem-feito. A diferença entre dizer “não pratique conflito de interesses” e “tome decisões colocando o interesse coletivo acima do interesse pessoal” é significativa; a primeira comunica proibição, enquanto a segunda estabelece um padrão de conduta.

Cultura de Integridade

Culturas fortes não são construídas apenas pelo medo do que não pode ser feito, mas também pela clareza do que deve ser vivido. Muitas pessoas não se engajam profundamente em culturas que apenas proíbem e ameaçam. A comunicação de integridade deve deixar de ser uma campanha contra o erro e passar a ser uma campanha a favor do acerto e da confiança.

No fim, a integridade se consolida não apenas quando as pessoas temem errar, mas quando compreendem, desejam e praticam o certo. Antes da próxima campanha, é crucial perguntar: estamos comunicando apenas o que queremos evitar ou também a organização que queremos construir?

Opinião

A comunicação de integridade deve ser uma ferramenta poderosa para moldar ambientes de trabalho saudáveis, promovendo valores que incentivam a colaboração e o respeito mútuo.