O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou a Omã neste sábado para discutir medidas visando à passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. Esta visita ocorre em meio a uma crescente tensão, já que os Estados Unidos buscam um compromisso público de trânsito livre e seguro na região.
Na sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que os EUA e o Irã haviam concordado em continuar as negociações, apesar da escalada das hostilidades. Ele também declarou o fim do cessar-fogo estabelecido entre as partes. Apesar disso, não houve relatos de ataques na sexta-feira ou no início do sábado, o que pode indicar uma tentativa de desacelerar a escalada.
Uma fonte iraniana de alto escalão informou à Reuters que uma conversa entre Irã, EUA, Catar e Paquistão estava sendo agendada para o sábado, durante a presença de Araqchi em Omã. O país está atuando como mediador em um conflito que elevou a insegurança no Golfo e impactou os preços globais desde os ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Fontes da CBS News e da BBC relataram que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e outros altos funcionários deveriam liderar as negociações com Araqchi. Contudo, uma fonte iraniana afirmou que não haveria negociações até que os EUA recuassem de suas posições.
Os ataques a três petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita no início da semana provocaram uma resposta militar dos EUA, que atacaram alvos iranianos, levando o Irã a retaliar com ataques a instalações militares americanas nos países do Golfo. Araqchi acusou os EUA de violar o acordo de cessar-fogo, enquanto Washington revogou a licença que permitia a venda de petróleo bruto iraniano.
Embora o Irã não tenha reivindicado a responsabilidade pelos ataques, analistas acreditam que Teerã esteja utilizando essas ações para obter vantagem nas negociações. A escalada do conflito gerou incertezas sobre um possível acordo provisório que poderia pôr fim à guerra, além de impactar os preços do petróleo, uma questão sensível para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Em uma mensagem em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou: “A República Islâmica do Irã nos pediu para continuarmos as ‘negociações’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro que o cessar-fogo ACABOU!”. Além disso, uma declaração do novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, ameaçou vingança pela morte de seu antecessor, afirmando que essa vingança ocorrerá independentemente da situação do Irã.
Na sexta-feira, Trump também ordenou que as forças armadas dos EUA se preparassem para possíveis ataques ao Irã caso Teerã tentasse assassiná-lo, aumentando ainda mais as tensões na região.
Opinião
A situação no Estreito de Ormuz continua a ser um ponto crítico nas relações internacionais, e as ações de líderes como Trump e Araqchi podem ter consequências significativas para a estabilidade na região.





