Gianni Infantino se atrasa para o Congresso Anual da Fifa, em Assunção, no Paraguai, após uma viagem ao Catar e à Arábia Saudita para acompanhar uma agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dirigentes das federações europeias, furiosos, protestam e o evento quase é prejudicado. Esse episódio, ocorrido em maio de 2025, ilustra como uma amizade alimentada por interesses passou a afetar a rotina e a independência da Fifa.
A associação entre Trump e Infantino, evidente em diferentes episódios durante a Copa do Mundo, inclui a vista grossa às restrições de locomoção da seleção iraniana, que fez todos os jogos da fase de grupos nos EUA, mas treinava no México. Além disso, a reversão da suspensão de Falorin Balogun, atacante dos EUA, se deu também por meio dos sauditas, que investiram bilionariamente na competição.
Para os EUA, receber megaeventos esportivos como a Copa do Mundo de Clubes, realizada no país em 2025, é uma oportunidade de criar um mercado para o futebol. Para a Fifa, o interesse está em desenvolver suas competições. Infantino restaurou as relações com os EUA, que eram tensas sob a presidência de Joseph Blatter. Após a perda do direito de sediar a Copa do Mundo de 2022 para o Catar e o escândalo do Fifagate, a Fifa viu seu cenário mudar drasticamente.
Trump interferiu em decisões importantes, como a ligação para Infantino para derrubar a suspensão de Balogun, permitindo que ele jogasse contra a Bélgica. Em um pronunciamento na Casa Branca, Trump confirmou que pediu uma “revisão justa” do cartão vermelho e criticou o árbitro Raphael Claus. Infantino confirmou a conversa, mas afirmou que a decisão do Comitê Disciplinar foi independente.
Nos últimos anos, Infantino estreitou sua relação com Trump, a quem entregou o Prêmio da Paz da Fifa em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa em Washington. A premiação foi criada para afagar o aliado. As decisões de Trump também afetaram a política imigratória dos EUA, que negou vistos a torcedores de países como Haiti, Senegal e Costa do Marfim, além do Irã, o que complicou a participação da seleção iraniana.
Com a Trump Tower abrigando um escritório da Fifa desde 2025, a influência de Trump sobre a entidade esportiva se torna cada vez mais evidente. O presidente da Fifa foi o único dirigente esportivo presente na posse de Trump em janeiro de 2024, e a amizade entre eles se fortaleceu após a reeleição de Trump em 2024, quando derrotou Joe Biden, que nunca convidou Infantino para a Casa Branca.
Opinião
A relação entre Trump e a Fifa levanta questões sobre a independência da entidade e o futuro do futebol mundial.





