Economia

Donald Trump impõe tarifaço de 50% e Brasil se torna mais dependente da China

Donald Trump impõe tarifaço de 50% e Brasil se torna mais dependente da China

Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) revelou que, um ano após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, a participação americana nas exportações do Brasil caiu para o menor nível da série histórica iniciada em 1997.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras recuou de 12,1% para 9,4% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Em contrapartida, a fatia da China avançou de 28,9% para 31,5%, passando a responder por quase um terço de tudo o que o Brasil vende ao exterior.

Impacto nas exportações

Apesar da queda, os Estados Unidos continuam como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, à frente da Argentina, cuja participação também caiu para 4%. A Amcham destacou que o avanço chinês reforça a crescente dependência brasileira em relação ao mercado asiático.

No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% na comparação anual. O desempenho é preocupante, especialmente quando comparado ao crescimento das vendas para o restante do mundo, que avançaram 11,5%.

Déficit comercial e novas tarifas

O comércio bilateral continua registrando um débito comercial para o Brasil, com a importação de produtos americanos superando as exportações em US$ 1,5 bilhão, equivalente a R$ 7,76 bilhões. A participação dos Estados Unidos na corrente total de comércio com o Brasil caiu para 11,1%, o menor patamar da série histórica.

A ApexBrasil, órgão do governo federal voltado à promoção de exportações, informou que produtos que representam 25% do valor das vendas brasileiras para os Estados Unidos enfrentam sobretaxas entre 12,5% e 25%. Além disso, outros 20% estão submetidos às regras da Seção 232, que afetam setores considerados estratégicos para a segurança nacional americana.

Ações de promoção comercial

Como reação ao tarifaço, a ApexBrasil realizou mais de 80 ações de promoção comercial no último ano, e 72% das empresas apoiadas conseguiram abrir ao menos um novo mercado de exportação. A própria agência destacou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras já vinha perdendo espaço nas últimas duas décadas, passando de 19% em 2005 para 11% em 2025.

Opinião

O cenário atual exige uma reflexão sobre as estratégias comerciais do Brasil, especialmente diante da crescente dependência da China e das incertezas geradas pelo tarifaço dos Estados Unidos.