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Vera Lacerda transforma vidas com Ara Ketu e recebe título da ABL em Brasília

Vera Lacerda transforma vidas com Ara Ketu e recebe título da ABL em Brasília

A professora e historiadora baiana Vera Lacerda, de 79 anos, compartilhou em Brasília (DF) sua trajetória inspiradora na criação do bloco Ara Ketu, em março de 1980, no bairro periférico de Periperi, Salvador (BA). Motivada por um forte inconformismo com as desigualdades sociais, Vera buscou utilizar a música como um instrumento de transformação e inclusão social.

Durante sua fala no Festival Latinidades, ela relembrou que, ao lado de seu primo, Augusto César, a ideia do bloco foi também uma forma de homenagear a cidade de Ketu, no Benim, uma das regiões que sofreu com o tráfico de pessoas escravizadas. Vera expressou seu orgulho ao afirmar que mais de três mil jovens já realizaram cursos profissionalizantes através do instituto que fundou.

O bloco Ara Ketu ganhou reconhecimento não apenas no Brasil, mas também no exterior. Vera Lacerda, que completará 80 anos em setembro, destacou que o maior reconhecimento vem das ligações de pessoas que passaram pelo bloco e pelo instituto, agradecendo pelo impacto positivo em suas vidas. Recentemente, Vera recebeu o título de comendadora da Academia Brasileira de Letras por seu trabalho social.

Bloco Didá e a força feminina

A professora Vera Lacerda também é uma fonte de inspiração para a presidente do bloco Didá, Débora Souza, que desde 2009 lidera a banda voltada exclusivamente para mulheres. Fundado por Neguinho do Samba, o Didá já contou com a participação de mais de cinco mil mulheres, que encontram no tambor uma forma de expressar suas alegrias e reivindicações.

“No Bloco, a gente se sente empoderada. Armada com meu tambor, eu me sinto uma rainha”, afirmou Débora, ressaltando a importância da liberdade e da força feminina dentro da agremiação.

Vozes da Diversidade

No mesmo evento, a radialista Denise Oliveira, que nasceu na região de São Sebastião (DF), destacou a transformação que iniciativas como o Ara Ketu e o Didá proporcionam. Denise, que também criou o projeto Vozes da Diversidade, que foi indicado ao prêmio WME da Billboard em 2024, enfatizou a importância da arte na autoidentificação e empoderamento das mulheres negras.

“Graças à arte, eu pude me encontrar como mulher negra, artista e trabalhadora de cultura desde os meus 15 anos”, disse Denise, reforçando que as mulheres sempre estiveram na base da construção de iniciativas culturais.

Opinião

A trajetória de Vera Lacerda e sua luta por inclusão social através da música são exemplos inspiradores de como a arte pode transformar vidas e comunidades.