Eleições

Banco Central da Argentina prorroga vencimentos de US$ 6 bilhões antes das eleições

Banco Central da Argentina prorroga vencimentos de US$ 6 bilhões antes das eleições

O Banco Central da Argentina prorrogou os vencimentos de US$ 6 bilhões em suas operações de recompra de títulos — conhecidas como “repo” — para aliviar o peso da dívida do governo antes das eleições presidenciais de 2027. O governo do presidente Javier Milei unificou as três operações de “repo” negociadas com bancos internacionais desde 2025 em um único contrato de US$ 6 bilhões, com vencimento em setembro de 2028, segundo um comunicado divulgado pela autoridade monetária.

A Bloomberg News havia noticiado em maio que o governo estava em negociações para realizar essa operação. A Argentina pagará uma taxa de juros de 400 pontos-base acima da taxa Secured Overnight Financing Rate (SOFR) do Federal Reserve como parte do acordo com dez credores internacionais, informou o Banco Central.

O Ministério da Economia também anunciará, na segunda-feira, o que descreveu como um plano “conservador” para cobrir os próximos vencimentos da dívida. “É um programa financeiro que demonstra a criação de colchões de liquidez, permitindo-nos chegar a 2027 com uma margem de segurança considerável”, afirmou o secretário de Finanças, Federico Furiase, em um podcast na noite de quinta-feira (2).

Antes da medida desta sexta-feira, o país tinha mais de US$ 20 bilhões em dívidas com vencimento em 2027, segundo o Barclays — um montante expressivo, dado que anos eleitorais podem trazer turbulência aos mercados. A nova operação de “repo” deve “aliviar as preocupações com as obrigações de serviço da dívida de 2027 e dar novo impulso à compressão dos spreads dos títulos”, disse Jimena Zuñiga, economista para a Argentina na Bloomberg Economics.

Em meados de 2025, a gestão de Milei assinou um empréstimo via “repo” de US$ 2 bilhões com prazo de dois anos junto a bancos internacionais, com vencimento previsto para 2027, somando-se a um acordo semelhante de US$ 1 bilhão e dois anos assinado anteriormente. Recentemente, a Argentina fechou uma operação de recompra de US$ 3 bilhões, liderada pelos bancos Santander, Bilbao Vizcaya Argentaria e Deutsche Bank, para ajudar a honrar pagamentos de títulos em janeiro.

O país enfrenta pagamentos que superam US$ 4 bilhões neste mês. As elevações na classificação de crédito promovidas pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings nos últimos meses alimentaram as apostas de que a Argentina terá uma nova oportunidade de acessar os mercados internacionais, após ter perdido uma janela de oportunidade no início de 2026.

Opinião

A decisão do Banco Central da Argentina reflete a urgência em estabilizar a economia antes das eleições, mas os desafios financeiros ainda são significativos.