Após quase 45 anos, o governo brasileiro emitiu um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB), vítima da repressão da ditadura militar aos 27 anos. O pedido foi feito durante uma cerimônia na UnB, com a presença de familiares, ex-colegas da vítima, da comunidade acadêmica e de membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos na ditadura.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania afirmou que o ato simbólico visa promover uma reparação tanto a Paulo de Tarso e sua família, diretamente lesada pela repressão, quanto à população brasileira. Natural de Morrinhos (GO), Paulo de Tarso foi capturado em 12 de julho de 1971, por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro.
Reconhecimento do Estado
A ministra Janine Melo fez o pedido de desculpas oficial, reconhecendo a responsabilidade do Estado pelas graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura. Janine destacou que o desaparecimento de Paulo de Tarso representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado, e que a ausência de respostas sobre seu destino ainda impede sua família de exercer plenamente o direito ao luto.
Paulo de Tarso foi considerado morto pela Lei 9.140, de 1995, que reconhece a morte de pessoas detidas por agentes públicos durante a ditadura. O depoimento de outra ex-presa política, Inês Etienne Romeu, trouxe informações sobre o desaparecimento, relatando que ele foi levado para um centro clandestino em Petrópolis, conhecido como a “Casa da Morte“, onde foi torturado.
Memória e verdade
A reitora da UnB, Rozana Naves, lembrou das agressões sofridas pelas universidades durante a ditadura e afirmou que a memória de Paulo de Tarso representa a defesa da liberdade de pensamento e a luta contra o autoritarismo. Ela enfatizou que a defesa da liberdade acadêmica e do pensamento crítico são legados essenciais para a construção democrática do país.
Opinião
O pedido de desculpas do governo é um passo importante na busca pela verdade e pela justiça, mas é fundamental que o Estado continue a trabalhar para reparar as injustiças cometidas durante a ditadura.





