O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitou uma análise da área técnica antes de tomar uma decisão sobre a investigação que envolve o dinheiro enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o filme Dark Horse. O despacho, publicado em 24 de outubro, pede esclarecimentos sobre os critérios de distribuição dos processos, que atualmente está sob a relatoria de Alexandre de Moraes.
A investigação foi encaminhada a Moraes após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentar uma notícia-crime sobre o tema, solicitando a ampliação do escopo do inquérito que inicialmente mirava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo foi condenado recentemente por coação no curso do processo e obstrução à Justiça, relacionado a uma trama golpista liderada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A questão chegou a Fachin após um pedido de Moraes, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a investigação deveria ser redistribuída para o ministro André Mendonça, que é o relator do caso envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido de Lindbergh surgiu após o site The Intercept Brasil revelar que Flávio solicitou a Vorcaro a quantia de R$ 134 milhões para financiar o filme inspirado na trajetória de seu pai. Desses, cerca de R$ 61 milhões foram enviados a um fundo ligado a Eduardo nos Estados Unidos, levantando suspeitas de que o dinheiro poderia ter sido utilizado para apoiar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras.
Após receber a notícia-crime, Moraes encaminhou a petição à análise da PGR. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou que o episódio já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, sob a supervisão do ministro André Mendonça.
Opinião
A complexidade do caso Dark Horse revela as intersecções entre política e justiça, exigindo atenção redobrada das autoridades para garantir a transparência nas investigações.





