O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, enfrenta um cenário de tensão após a decretação de um estado de exceção e um acordo firmado com a Central Operária da Bolívia (COB). O acordo, assinado em 19 de outubro, visa pacificar o país após 50 dias de protestos que criticam as políticas do governo.
No dia 20 de outubro, o estado de exceção foi oficialmente decretado, permitindo ao governo impor toque de recolher e utilizar as Forças Armadas para conter os manifestantes. Este movimento ocorreu em um momento crítico, com a Bolívia registrando 31 bloqueios de rodovias em 21 de outubro, número que caiu para 12 ao longo do mesmo dia, segundo a Administradora de Estradas Bolivianas (ABC).
Acordo com a COB
O acordo com a COB prevê um período de 90 dias para testar os compromissos assumidos pelo governo, incluindo a não privatização de empresas públicas e a não criminalização dos protestos. O presidente da COB, Mario Argollo, destacou que a responsabilidade agora recai sobre o governo e que, se os compromissos forem cumpridos, a população poderá apoiar a administração de Rodrigo Paz.
Os protestos, que começaram em janeiro e escalaram em maio e junho, são uma resposta a políticas consideradas neoliberais e a uma nova lei de terras que gerou descontentamento entre camponeses. Rodrigo Paz, que está no poder há apenas sete meses, enfrenta uma crescente pressão popular que pede sua renúncia.
Reações e Consequências
A implementação do estado de exceção e a redução dos bloqueios refletem o desgaste das mobilizações, que resultaram em escassez de alimentos e medicamentos em várias cidades. A doutoranda em ciência política da Universidade de São Paulo (USP), Alina Ribeiro, analisa que a negociação com o governo pode ser uma saída viável, embora não garanta a renúncia de Paz.
Entretanto, nem todas as organizações sociais concordam com a suspensão dos protestos. A Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas “Bartolina Sisa” defende a continuidade das mobilizações até a renúncia de Rodrigo Paz, argumentando que o governo está traindo o mandato popular.
Opinião
O cenário na Bolívia é complexo, com um governo sob pressão e uma população dividida. A eficácia do acordo com a COB e a resposta do governo serão cruciais para determinar os próximos passos no país.





