O ministro Dario Durigan, da Fazenda, defendeu uma revisão no método de cálculo da inflação brasileira, alegando que os índices atuais não refletem adequadamente os novos hábitos de consumo da população. A declaração surge em um momento em que o IPCA acumulado em 12 meses voltou a superar o teto da meta do Banco Central.
Segundo Durigan, a metodologia atual atribui peso excessivo a itens que perderam relevância ao longo do tempo, como produtos que não fazem mais parte do cotidiano dos brasileiros. Ele destacou que itens como assinaturas de streaming e serviços de nuvem têm se tornado mais relevantes, enquanto outros, que ainda são considerados no cálculo, já não têm o mesmo peso.
Os dados de inflação de maio, que registraram uma alta de 0,58%, embora abaixo dos 0,67% de abril, marcam o maior resultado para o mês em cinco anos. Com isso, o IPCA acumula uma alta de 4,72% em 12 meses, ultrapassando o teto de 4,5% da meta do Banco Central.
Durigan também mencionou a importância de debater melhorias nos indicadores de inflação e na metodologia do boletim Focus, que traz as expectativas do mercado financeiro, incluindo a previsão de inflação do ano. Apesar de defender mudanças, ele afirmou que não pretende alterar a meta fixa de 3%.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também se mostrou favorável à revisão dos indicadores. Em maio, ele sugeriu que o Brasil analisasse modelos do Federal Reserve, que exclui itens voláteis como energia e alimentos da análise da inflação para definir a política monetária.
Opinião
A discussão sobre a revisão do cálculo da inflação é fundamental, especialmente em um cenário onde as mudanças nos hábitos de consumo exigem uma adaptação nas metodologias utilizadas.





