Na comunidade quilombola de Nova Esperança, em Baraúna (RN), a agricultora Sueli Bessa, de 39 anos, relembra como o cheiro da goiaba dominava a região, mas os períodos secos se tornaram frequentes, afetando a produção local. Sueli é uma das lideranças que participa do encontro nacional das mulheres quilombolas, que ocorre até este domingo (14) no Gama (DF), onde a justiça climática é um dos temas centrais. O presidente Lula visitou o evento em 11 de outubro e ouviu as preocupações das participantes.
A comunidade de Nova Esperança, que abriga cerca de 70 famílias, enfrenta desafios climáticos que impactam não apenas a goiaba, mas também outras frutas e hortaliças. As dificuldades têm levado muitos a abandonar a agricultura familiar em busca de empregos nas indústrias urbanas, a mais de 20 quilômetros de distância. Além disso, a falta de infraestrutura, como estradas não asfaltadas e a ausência de abastecimento regular de água, agrava a situação.
No evento, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou o livro ‘Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima’, que apresenta denúncias sobre os impactos das mudanças climáticas e de grandes empreendimentos nos territórios quilombolas. A agrônoma Fran Paula, responsável pelo estudo, destaca que as mulheres são as mais afetadas e que é essencial acelerar a regularização das terras quilombolas para garantir a justiça climática.
Desafios em outras comunidades
A situação não é única em Nova Esperança. A comunidade Mesquita, em Cidade Ocidental (GO), com 785 famílias, aguarda a demarcação de seu território, reconhecido como quilombola apenas em 2006. A coordenadora da Conaq, Sandra Braga, alerta sobre a ameaça de apropriação das terras por fazendeiros da soja, enquanto a produção do marmelo, símbolo da resistência local, enfrenta os efeitos das mudanças climáticas.
Na comunidade Divino Espírito Santo, em São Mateus (ES), com mais de 300 famílias, a produção de mandioca para o famoso beiju artesanal também diminui devido ao caos climático. A agricultora Denise Penha ressalta a importância de preservar a produção orgânica contra os impactos de agrotóxicos utilizados nas proximidades.
Opinião
É fundamental que as vozes das comunidades quilombolas sejam ouvidas e que suas demandas por reconhecimento e proteção sejam atendidas, garantindo um futuro sustentável e justo.





