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Diorama Digital e Brasil se destacam em outsourcing de jogos, mas enfrentam desafios

Diorama Digital e Brasil se destacam em outsourcing de jogos, mas enfrentam desafios

Em fevereiro de 2026, dados da pesquisa State of Video Gaming 2026 revelaram que o investimento em terceirização do desenvolvimento de jogos representou 35,5% do total em conteúdo dos desenvolvedores em 2025. Essa prática tem crescido desde a pandemia, com estúdios de suporte, conhecidos como external development, sendo fundamentais em grandes produções AAA, devido ao custo mais baixo e à otimização do tempo de desenvolvimento.

Um exemplo emblemático é Cyberpunk 2077, da CD Projekt RED, que contou com a colaboração de mais de sete estúdios de diferentes países. A terceirização é uma prática comum, com mais de 50% dos estúdios de jogos utilizando IA generativa para apoiar o processo criativo.

Os desafios da terceirização no setor de jogos

Apesar de ser uma prática comum, a terceirização levanta questões éticas. Estúdios em países emergentes, como os do Sudeste Asiático, enfrentam problemas de mão de obra mal remunerada, com salários que podem chegar a apenas US$ 300 por mês. O documentário How Game Publishers Buy Crunch Overseas expõe a dura realidade de estúdios como Lemon Sky (Malásia) e Brandoville (Indonésia), que lidam com condições de trabalho precárias.

No Brasil, a situação do desenvolvimento de jogos por outsourcing é diferente. O país se tornou um polo de external development, especialmente no Nordeste, onde estúdios têm contribuído para grandes produções como Call of Duty e Horizon Forbidden West. O presidente da Abragames, Rodrigo Terra, destacou que o Brasil se transformou em uma ‘grande fábrica’ de jogos AAA, aproveitando a disparidade do dólar-real para oferecer um custo-benefício competitivo.

A ascensão da Diorama Digital

A Diorama Digital, fundada em 2015 em Recife, é um exemplo de sucesso no mercado internacional. O CEO, Rodrigo “Mágiko” Carneiro, enfatiza que estúdios estrangeiros valorizam a parceria com brasileiros, destacando o ‘calor humano’ que caracteriza o trabalho local. Com um crescimento agressivo, a Diorama já patrocina a External Development Summit em Vancouver, fortalecendo sua presença no mercado.

Desafios do mercado brasileiro

Apesar do avanço, o Brasil ainda enfrenta desafios, como a falta de profissionais de nível sênior. O COO da Diorama, Alex Rodrigues, apontou que a demanda por artistas qualificados muitas vezes não é atendida, dificultando a alocação de equipes em projetos AAA. A fuga de cérebros e a necessidade de investimento público também são barreiras a serem superadas.

Opinião

A evolução do outsourcing de jogos no Brasil é promissora, mas a indústria precisa urgentemente formar mais profissionais qualificados para atender à crescente demanda e garantir um futuro sustentável para o setor.