A auxiliar de serviços gerais Núbia Sales Veras, de 52 anos, moradora da Cidade Ocidental, Goiás, enfrenta desafios diários para acessar serviços essenciais em Brasília. Com uma distância de 50 km até seu trabalho no Lago Sul, a dificuldade se intensifica com o custo da passagem, que chega a R$ 18 por dia.
Em um estudo da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadores analisam a proposta de tarifa zero no transporte público e seu potencial de transformar a mobilidade urbana. A pesquisa revela que a população negra é a mais afetada pelas barreiras econômicas e territoriais, com mulheres negras enfrentando o dobro do risco de morte materna em comparação às mulheres brancas.
Desafios do transporte público
Núbia relata que a alta tarifa e a baixa qualidade do transporte dificultam o acesso a tratamentos de saúde, como o que realiza para a fibromialgia. A falta de pontualidade e a superlotação são obstáculos que resultam em consultas perdidas e atrasos no tratamento. “Já perdi compromisso, já perdi consulta do meu tratamento no hospital Sarah“, contou.
O estudo da UnB também destaca que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões anuais na economia, além de reduzir as desigualdades raciais e territoriais que marcam o acesso à cidade.
Impactos sociais e econômicos
O texto ressalta que o tempo de deslocamento prolongado não só afeta a saúde física, mas também o bem-estar psicológico dos usuários, intensificando quadros de ansiedade e depressão. A pesquisa sugere que a remoção da tarifa pode ser uma política estruturante, semelhante ao que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa para a saúde pública.
Opinião
A proposta de tarifa zero no transporte público é uma oportunidade crucial para garantir acesso igualitário a serviços essenciais, especialmente para as populações mais vulneráveis.





