Integrantes do governo brasileiro afirmam que um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrerá apenas de forma informal durante o G7, na França. Até o momento, não houve um pedido formal de reunião por parte do Palácio do Planalto ou da Casa Branca.
O governo Lula não vê espaço para discutir temas conflitantes da agenda bilateral durante o G7, como a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Além disso, a proposta de tarifas sobre exportações, que inclui uma tarifa de 25% por práticas desleais e outra de 12,5% relacionada ao trabalho forçado, também não está em pauta para discussão.
Segundo conselheiros do presidente, não há motivação política para uma nova interação agora, e a expectativa é que Trump apenas aguarde o fim das tratativas comerciais, cujo prazo se estende até o 15 de julho. O governo brasileiro acredita que seria uma desmoralização para Trump retirar a designação das facções como terroristas, e Lula não pode “suplicar” por uma revisão, mas sim continuar a cooperação técnica entre polícias e estruturas de segurança pública.
Lula deve chegar à França na tarde do 15 de julho, e a expectativa é que Trump, que celebra seu aniversário no dia 14, chegue após o presidente brasileiro. O que pode ocorrer em Évian-les-Bains, onde o G7 será realizado, é uma breve “trombada” nos corredores, já que ambos estarão no mesmo ambiente.
O presidente brasileiro terá reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Outras reuniões com líderes, incluindo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e com representantes da União Europeia, também estão em avaliação. O objetivo é discutir preocupações comerciais e a exclusão do Brasil como exportador de carne para o mercado europeu.
Discurso oficial
Durante o G7, Lula se prepara para fazer ao menos dois discursos, onde abordará desequilíbrios macroeconômicos globais e a necessidade de reforma das instituições internacionais. Ele criticará tarifas e decisões unilaterais, respondendo a ações do governo Trump, sem demonstrar “fraqueza política”. A linguagem adotada será mais diplomática, visando evitar um tom agressivo.
Opinião
A postura do governo Lula em não buscar uma reunião formal com Trump no G7 reflete uma estratégia de manter a autonomia nas relações internacionais, priorizando uma agenda mais ampla e colaborativa.





