Internacional

Polícia e manifestantes colidem no Estádio Azteca durante abertura da Copa

Polícia e manifestantes colidem no Estádio Azteca durante abertura da Copa

Um intenso confronto entre manifestantes e policiais ocorreu no dia 11 de outubro nos arredores do Estádio Azteca, na Cidade do México, durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo. O grupo de manifestantes lutava por mais ação do governo na busca por pessoas desaparecidas, mas acabou entrando em conflito com a polícia ao ultrapassar barreiras de contenção.

De acordo com a agência de notícias AFP, a situação se agravou quando jovens, armados com pedaços de pau, quebraram vidros de viaturas estacionadas. Em resposta, a polícia utilizou gás de pimenta para dispersar os manifestantes, e um agrupamento montado foi acionado para reforçar a contenção. O caos também se espalhou para uma Fan Fest da FIFA na praça da Constituição, onde a presença massiva de torcedores e a instalação de placas metálicas pela polícia contribuíram para a confusão.

A região do estádio estava repleta de uma multidão, misturando torcedores e manifestantes que buscavam aproveitar a visibilidade da Copa. Além dos protestos pela causa das pessoas desaparecidas, um grupo de professores também se manifestava, exigindo aumentos salariais de até 100%. Os sindicatos da categoria pretendem usar os holofotes do Mundial para pressionar o governo por melhorias.

Enquanto a cerimônia de abertura da Copa acontecia, as manifestações de diversos grupos sociais, incluindo familiares de desaparecidos e professores em greve, se espalhavam pela zona sul da Cidade do México. Os ativistas, que se reuniram logo cedo, tentaram se aproximar do Estádio Azteca, mas foram contidos pela forte presença policial, que não impediu, no entanto, a chegada dos torcedores.

Os professores do ensino fundamental e médio têm reivindicado melhorias salariais e de aposentadoria há mais de uma semana, e na noite de quarta-feira, rejeitaram a proposta mais recente do governo. Um professor grevista, que preferiu não se identificar, afirmou: “Esta partida é uma distração, só serve à FIFA, à Claudia Sheinbaum e aos Estados Unidos.” Em resposta, Sheinbaum classificou o protesto como uma “provocação” e garantiu que não se deixará levar por armadilhas que visem criar imagens de repressão durante a Copa.

Opinião

A situação no Estádio Azteca evidencia a complexidade de eventos esportivos em países com problemas sociais profundos, onde a luta por direitos não pode ser silenciada mesmo em meio à festa do futebol.