Economia

Crescimento de apostas online afeta consumo de carne e roupas no Brasil

Crescimento de apostas online afeta consumo de carne e roupas no Brasil

O crescimento vertiginoso do mercado de apostas online no Brasil deixou de ser uma questão de nicho e já afeta o orçamento das famílias, alterando padrões de consumo que vão do vestuário à alimentação. As chamadas bets têm se tornado um problema para diferentes ramos da economia, que defendem medidas para restringir a atuação das plataformas.

Recentemente, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que o consumidor está deixando de comer carne em razão das despesas com apostas. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o consumo médio de carne por habitante recuou de 35 kg em 2024 para 31,9 kg em 2025, uma queda de 9%. Perosa afirmou que o problema não está na inflação, mas sim na renda, indicando que as apostas são um dos principais fatores que comprometem o orçamento familiar.

Impacto das apostas no orçamento familiar

Um estudo realizado em parceria entre a Tendências Consultoria e a Peers Consulting + Technology estima que mais de 25 milhões de pessoas fazem apostas em pelo menos uma das 79 empresas autorizadas pelo governo federal. O Brasil já é o quinto maior mercado global de apostas online, movimentando entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, impulsionado pela digitalização e popularização do Pix como meio de pagamento.

Os dados mostram que 23% dos apostadores deixaram de comprar roupas e 19% reduziram gastos em supermercados para sustentar o hábito de apostar. Em 2024, cerca de 15% da população fez ao menos uma aposta online, superando o uso de diversos produtos financeiros tradicionais.

Endividamento e desafios econômicos

A taxa de endividamento das famílias brasileira atingiu 49,9% em 2026, e a inadimplência chegou ao maior índice da série histórica, com 80,9% das famílias declarando possuir algum tipo de dívida. As apostas já são o principal fator responsável pelo endividamento familiar, com um estudo indicando que para cada aumento de 1% nas apostas, o endividamento cresce 0,23%.

A Associação Brasileira dos Atacarejos (Abaas) propôs ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, medidas para restringir o avanço das apostas sobre o orçamento das famílias, incluindo o bloqueio de sites ilegais e a restrição da publicidade digital.

Opinião

O crescimento das apostas online no Brasil traz à tona uma nova dinâmica de consumo que merece atenção, especialmente em um cenário de alta taxa de endividamento e consumo reduzido em setores essenciais.